Alta dos juros mantém fundos de pensão focados em renda fixa, enquanto mercado aguarda sinalizações na próxima ata do Copom

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a taxa Selic para 15% ao ano indica um endurecimento da política monetária e reforça o compromisso do Banco Central no combate à inflação. A avaliação é de Ricardo Serone, diretor financeiro e de investimentos da BB Previdência.

De acordo com o executivo, mesmo com sinais de desaceleração na inflação em maio e a valorização do real frente ao dólar, esses fatores não foram suficientes para gerar segurança à autoridade monetária. “A inflação está resiliente, acima do teto da meta, o que deve manter os juros em patamar elevado por mais tempo”, afirma.

A expectativa da BB Previdência é que a taxa só comece a recuar a partir de 2026. Segundo Serone, esse cenário é influenciado pelas incertezas fiscais, pela atividade econômica aquecida e pela pressão do mercado de trabalho.

Inflação segue resistente

Em maio, a inflação medida pelo IPCA desacelerou para 0,26%, mas ainda acumula alta de 2,75% no ano e de 5,32% nos últimos 12 meses, acima da meta de 3% e do teto de 4,5% estabelecidos pelo Banco Central.

Entre os fatores que ajudam a controlar o índice estão a redução nos preços dos alimentos e dos combustíveis. Por outro lado, pressões como a possível adoção da bandeira vermelha na conta de energia, o aumento dos preços do petróleo em decorrência de tensões geopolíticas no Oriente Médio e a inflação de serviços continuam no radar.

“A inflação de demanda, principalmente em serviços, segue resistente, impulsionada por medidas de estímulo à economia”, observa Serone.

Cenário econômico influencia juros

O Boletim Focus aponta crescimento de 2,20% no Produto Interno Bruto (PIB) para 2025, e de 1,83% para 2026. Já a projeção para 2027 permanece estável em 2%. As previsões para o dólar também foram revisadas, com a cotação esperada em R$ 5,77, influenciada por movimentos no cenário externo.

“Uma queda mais consistente no dólar poderia contribuir para reduzir os juros domésticos, especialmente se vier acompanhada de cortes nas taxas de juros dos Estados Unidos, o que ainda não é o caso”, explica.

Impacto nos planos de previdência

Com a Selic no atual patamar, os fundos de pensão devem continuar priorizando investimentos em renda fixa, que oferecem retorno real acima da inflação e menor volatilidade.

“As carteiras estão bem posicionadas para capturar ganhos tanto no curto quanto no longo prazo, com títulos que oferecem taxas acima de 7% de ganho real”, afirma Serone.

A expectativa do mercado agora se volta para a ata da próxima reunião do Copom, que deve trazer sinalizações mais claras sobre os próximos passos da política monetária.

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