Apesar dos avanços em diversidade, desigualdade salarial, dificuldade de ascensão e estereótipos continuam sendo entraves na trajetória feminina no setor
O mercado financeiro apresenta desafios históricos para as mulheres, especialmente em cargos de liderança. Embora 37% dos postos de comando no Brasil já sejam ocupados por profissionais do sexo feminino, o setor ainda impõe obstáculos como a desigualdade salarial e o viés de gênero. Apenas 23% das empresas de médio porte têm mulheres como CEO, segundo dados recentes.
Conciliar carreira e vida pessoal
Segundo Juliana Tescaro, diretora do Grupo Studio com passagens por grandes instituições como Itaú e Citibank, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional é um dos principais dilemas enfrentados. A dedicação exigida frequentemente leva mulheres a adiar decisões pessoais. “Desde o início, percebi que precisava estar 100% focada no crescimento profissional. Essa pressão existe para todos, mas para as mulheres, há ainda a cobrança de equilibrar a vida pessoal de uma forma que raramente é imposta aos homens”, pontua.
Desigualdade salarial ainda é realidade
Mesmo com desempenho equivalente, a remuneração feminina ainda está abaixo da masculina. Juliana relata que essa diferença foi uma constante em sua carreira: “Era frustrante ver homens no mesmo cargo ganhando mais. Isso sempre foi uma realidade, e infelizmente ainda é”.
Liderança feminina ainda enfrenta resistência
A dificuldade em ter voz ativa persiste, mesmo quando as mulheres ocupam posições de liderança. Para Juliana, além de resultados, é necessário desenvolver uma cultura organizacional mais inclusiva. “A última palavra ainda costuma vir de um homem, mesmo quando uma mulher tem igual ou maior experiência na área”.
Estereótipos e cobrança por capacitação constante
Comportamentos assertivos de mulheres ainda são mal interpretados. “Enquanto um homem que impõe sua opinião é visto como firme, uma mulher com a mesma postura pode ser rotulada de difícil ou inflexível”, relata. Além disso, há uma pressão contínua para comprovação técnica, acima da vivência prática, algo que costuma pesar menos sobre os colegas homens.
Visão de futuro para o setor
Apesar dos entraves, Juliana acredita em mudanças concretas. A cada passo dado por mulheres em posições estratégicas, novas portas se abrem. “Estamos mostrando, dia após dia, que temos competência e visão para transformar esse setor”, afirma.

