Com a nova meta do B20 até 2030, setor precisa expandir esmagamento e logística para atender exigência crescente por óleo vegetal como matéria-prima

A aprovação da Lei do Combustível do Futuro e o avanço do biodiesel na matriz energética brasileira estão impulsionando um desafio estratégico ao setor de óleos vegetais: aumentar a capacidade de processamento da soja para suprir a nova demanda.

Pressão sobre o óleo de soja

O Brasil acaba de avançar para a mistura obrigatória de 15% de biodiesel no diesel fóssil (B15), autorizada a partir de agosto de 2025. A meta é chegar ao B20 até 2030. Segundo o head de biodiesel da SCA Brasil, Filipe Cunha, a expansão ocorre com base em estudos técnicos e testes que garantem viabilidade e segurança.

“À medida que a demanda por biodiesel cresce, eleva-se também a pressão sobre a principal matéria-prima do biocombustível no país, que é o óleo de soja”, afirmou Cunha. Somente no primeiro semestre de 2025, o óleo de soja representou 75,1% da produção nacional de biodiesel, segundo dados da ANP.

Projeções até 2030

O Plano Decenal de Expansão de Energia 2034 (PDE 2034) prevê crescimento de 2,1% ao ano no consumo de diesel, que deve atingir 84 bilhões de litros até 2034. O consumo de biodiesel pode saltar de 9 bilhões de litros em 2024 para 15,2 bilhões em 2030.

Esse avanço exigirá um aumento de 54% na oferta de óleo de soja, passando de 6,6 para 10,2 bilhões de litros. “O desafio não está na disponibilidade da matéria-prima em si, mas sim na ampliação industrial e na logística para processá-la em tempo e escala”, explica Cunha.

Necessidade de expansão industrial

Considerando o rendimento médio de 19% de óleo por tonelada de soja esmagada, o setor precisará elevar em 22,2 milhões de toneladas a capacidade de processamento nacional. A Abiove estima que a colheita atual de soja no Brasil seja de 169,7 milhões de toneladas, com projeção de esmagamento de 57,8 milhões.

O Ministério de Minas e Energia (MME) calcula que a implementação do B15 atrairá R$ 5,2 bilhões em investimentos e gerará mais de 4.000 empregos. Para atingir o B20, segundo a Abiove, o país deverá construir 47 novas esmagadoras de soja e 33 usinas de biodiesel, com investimento estimado de R$ 53 bilhões.

Impacto das exportações e tarifa dos EUA

A recente tarifa de 50% aplicada pelos EUA a produtos brasileiros afeta quase 36% das exportações nacionais para aquele país. Apesar disso, a demanda chinesa por soja em grão segue aquecida, reflexo da disputa comercial entre EUA e China. A China é o principal destino da soja brasileira, respondendo por 70% a 75% das exportações.

Segundo a Abiove, as exportações de soja em grãos devem crescer 0,9%, chegando a 109 milhões de toneladas em 2025. Já o volume de óleo de soja exportado deve recuar 3,6%, totalizando 1,35 milhão de toneladas. As importações, por outro lado, devem somar 100 mil toneladas de óleo e 500 mil toneladas de grãos, para equilibrar o mercado interno.

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