A reflexão que fizemos sobre a importância da união e da articulação em torno da Economia Criativa e Solidária no artigo anterior, abre espaço para uma nova etapa: pensar essas economias como estratégia de desenvolvimento sustentável para nossas cidades e para a Região de Atibaia.

Como ocorre em nossas vidas, o desenvolvimento coletivo também é um processo evolutivo. Surge como movimento espontâneo através das   manifestações culturais, da busca de recursos pelas relações cooperativas, comerciais, de trocas, serviços prestados ou compartilhados. Movimento que gera energia social, aprendizados, riqueza nos mais variados aspectos, promove desenvolvimento econômico, mas, principalmente humano.

Assim, o que hoje se vê nas feiras de bairro, nos ateliês, nas cozinhas coletivas, nos grupos de artesãos e nas cooperativas de produção, precisa ser reconhecido não apenas como iniciativas culturais e sociais, mas como política crescente de imenso potencial para proporcionar vida melhor.
Essas práticas geram trabalho e renda, preservam e valorizam a cultura local, estimulam a inovação e criam redes de solidariedade. Transformar esse movimento em plano oficial significa dar a ele continuidade no âmbito municipal e regional, apoio técnico, incentivo e segurança, portanto, transcende os ciclos eleitorais para permanente estratégia de gestão. 

Essa estratégia se sustenta em três eixos principais:

  1. Valorização cultural e criativa – apoiar artistas, artesãos, produtores e empreendedores criativos com espaços de visibilidade, capacitação e financiamento;
  2. Cooperação solidária – fortalecer cooperativas, associações e redes coletivas com suporte jurídico, contábil e logístico;
  3. Integração com o poder público – transformar iniciativas em políticas perenes por meio de editais, fundos municipais, conselhos participativos e compras governamentais que priorizem produtos e serviços criativos e solidários.

Atibaia e as cidades vizinhas já têm a vocação criativa e solidária em sua identidade. O desafio é dar escala a esse potencial: criar um calendário regional de feiras criativas e solidárias, promover intercâmbio entre os grupos, trazer as instituições de ensino e pesquisa para apoiar com formação e inovação, consolidar canais de comercialização presenciais e digitais.

Se no artigo anterior chamamos para unir e articular, agora o chamado é para estruturar e comprometer. A região pode ser referência nacional em políticas de desenvolvimento baseadas em criatividade, solidariedade e cooperação. Isso depende da decisão coletiva de investir nesse caminho.

Esse propósito grandioso merece e precisa de um setor específico dentro das gestões públicas, algumas pessoas criteriosamente bem escolhidas para coordenarem toda essa orquestração positiva de crescimento através da Economia Criativa e Solidária, mapear e agregar os setores, viabilizar espaços e estruturas, decidir os planos de ações junto às lideranças comunitárias. Onde já se faz algo nesse sentido, se organiza e estrutura, certamente, agiliza o desenvolvimento e melhora a qualidade de vida, ainda assim, sempre há muito para se avançar, crescer, multiplicar. Onde estiver engatinhando, “bora lá”, é tempo de “arregaçar as mangas” e fazer acontecer, ampliar as ações dessa estratégia pelas economias criativas e solidárias fará nossas cidades ainda  melhores para se viver! 

Suas considerações nos comentários são sempre muito bem vindas para nossas reflexões e contribuem para novos artigos. Até o próximo!

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