Medidas dos Estados Unidos obrigam exportadores brasileiros a recalibrar destinos, preços e estratégias comerciais
Impactos imediatos das novas tarifas
Desde que o governo dos Estados Unidos elevou para 50% a tarifa aplicada à maioria dos bens de origem brasileira, por meio de ordem executiva publicada em 30 de julho, o comércio mundial entrou em novo ciclo de reacomodação. A medida, justificada por Washington como questão de segurança nacional, entrou em vigor em 6 de agosto e trouxe 694 exceções, preservando nichos relevantes como aeronaves e alguns insumos energéticos.
No Brasil, setores sensíveis a custo e competição, como calçados, têxteis e parte do agronegócio processado, foram rapidamente impactados. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), cerca de 80% das empresas exportadoras do setor podem ser afetadas, e em muitos casos, operar com os Estados Unidos pode se tornar economicamente inviável.
Fim da isenção de minimis e aumento de tarifas
O ambiente ficou mais desafiador com o fim da isenção de minimis para remessas de até US$ 800, válido a partir de 29 de agosto, afetando o comércio eletrônico internacional. Paralelamente, o governo americano ampliou tarifas de 50% sobre aço e alumínio para mais 400 categorias, encarecendo insumos industriais e partes automotivas, o que eleva custos nas cadeias B2B e B2C.
Resposta brasileira e projeções globais
O Brasil reagiu com diplomacia econômica e medidas domésticas. Em 13 de agosto, foi anunciado um pacote de crédito de R$ 30 bilhões e ajustes tributários, incluindo o drawback, para apoiar empresas afetadas. No plano multilateral, os Estados Unidos aceitaram consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC), apesar de invocarem a exceção de segurança nacional.
A OMC revisou a projeção de crescimento do comércio de mercadorias em 2025 para 0,9%, alertando que o impacto pleno do protecionismo pode enfraquecer a expansão em 2026 (1,8%). O FMI mantém crescimento mundial estimado em 3,0%, destacando que tarifas, incertezas e custos logísticos são riscos relevantes.
Estratégias para exportadores brasileiros
Especialistas recomendam diversificação de destinos (América Latina, União Europeia, Oriente Médio e Ásia), aumento de produtividade, redução de custos logísticos e de energia, além de uso de regimes aduaneiros especiais, revisão de preços e Incoterms. Empresas devem segmentar portfólio, priorizando nichos de maior valor, e fortalecer parcerias com distribuidores e varejistas nos novos mercados-alvo.

