Relatório aponta que terminais privados seguem liderando movimentação portuária, com 64,6% do total
O comércio exterior brasileiro registrou retração no primeiro semestre de 2025, especialmente no segmento marítimo, em meio a mudanças tarifárias em grandes mercados, conflitos geopolíticos e efeitos climáticos. Segundo o Relatório Semestral da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), o saldo da balança comercial por via marítima somou US$ 46,99 bilhões em valor FOB, queda de 17,2% em comparação ao mesmo período de 2024.
Exportações em queda, importações em alta
As exportações brasileiras recuaram 3,5% no semestre, totalizando US$ 144,7 bilhões. A soja, o petróleo e o minério de ferro perderam juntos mais de US$ 8 bilhões em relação a 2024. O recuo foi puxado principalmente pela redução no valor médio das commodities. A soja caiu 9,6% por tonelada, o petróleo 7,9% e o minério 16,6%.
Entre os destaques positivos, gorduras e óleos vegetais cresceram 53,4% e o grupo café, chá, mate e especiarias avançou 49,1%.
Já as importações subiram 4,8%, alcançando US$ 97,7 bilhões. O movimento foi impulsionado pela compra de máquinas e equipamentos industriais (US$ 13,8 bilhões, +12,4%). Produtos farmacêuticos (+32,9%) e químicos orgânicos (+23,3%) também tiveram altas expressivas.
Movimentação nos portos privados
O sistema portuário brasileiro movimentou 653,7 milhões de toneladas no semestre, crescimento de 1% segundo a Antaq. Os terminais de uso privado (TUP) responderam por 422,3 milhões de toneladas (+1,9%), o equivalente a 64,6% do total. Já os portos públicos registraram 231,5 milhões de toneladas (-0,53%).
A carga conteinerizada se destacou, com avanço de 6,2%. A carga geral e o granel sólido cresceram 5,2% e 0,7%, respectivamente. Já o granel líquido e gasoso recuou 1,4%, devido à menor movimentação de combustíveis.
Cenário internacional e destinos
No ranking dos dez principais destinos, as exportações para a China caíram 7,56%, somando US$ 47,5 bilhões. Em contrapartida, houve aumento das vendas para os Estados Unidos (+2,83%), Argentina (+57,6%), Coreia do Sul (+16,5%), Índia (+11,4%) e Alemanha (+4,6%). Entre as quedas, destacam-se Singapura (-22,3%), México (-13,8%) e Espanha (-10,4%).
Segundo a ATP, a expectativa para o segundo semestre é de cautela, com estabilidade nos preços de soja e petróleo, mas com riscos ligados à volatilidade internacional.
Análise regional
O Centro-Oeste apresentou o maior crescimento percentual (77,1%), reflexo da recuperação das operações após a seca de 2024, mas com volume ainda baixo: 4,8 milhões de toneladas.
Na sequência aparecem a Região Sul (+2,9%), Nordeste (+0,8%) e Sudeste (+0,5%). Apenas o Norte apresentou queda (-1,2%) no total, embora os terminais privados da região tenham registrado alta de 2,35%.
“As mudanças nas políticas comerciais e nas condições externas podem seguir impactando o comércio marítimo, reforçando a necessidade de adaptação dos terminais portuários e da cadeia logística para sustentar a competitividade do Brasil”, afirmou Murillo Barbosa, presidente da ATP.

