Especialista aponta gargalos no transporte de defensivos agrícolas e desafios logísticos em períodos de pico

A frota de caminhões no Brasil registrou crescimento de 23% na última década, passando de 2,6 milhões em 2015 para 3,2 milhões em agosto de 2025, segundo dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). Em 25 anos, o número mais que dobrou: em 2000, havia 1,4 milhão de veículos registrados.

Rodovias concentram o transporte do agro
De acordo com o Ministério da Agricultura, cerca de 70% das cargas do agronegócio são transportadas pelas estradas. Para o especialista em logística de defensivos agrícolas e diretor de projetos da Luft Agro, Luiz Alberto Moreira da Silva, a dependência é ainda maior nesse segmento, já que a ferrovia não dispõe de estrutura básica para atender à distribuição desses produtos.

Custos e gargalos na logística
Silva destaca como principais desafios o preço do diesel, a escassez de mão de obra e a má qualidade das rodovias. “Cerca de 30% das vendas de defensivos são diretas da indústria para o agricultor, com entregas em fazendas de difícil acesso, agravadas por chuvas intensas e longas distâncias”, afirmou em participação no Podcast Ascenza – Edição Especial Andav 2025.

Segundo ele, a concentração geográfica das fábricas no Sul e Sudeste amplia as dificuldades, já que o agricultor prefere receber o defensivo apenas no momento da aplicação, evitando estocagem por questões de segurança. Esse cenário gera picos de demanda, especialmente na safra da soja, responsável por 50% do consumo do mercado de defensivos, quando aplicações ocorrem em períodos semelhantes em diferentes regiões.

Controle e sustentabilidade
O especialista ressalta que o uso de defensivos é criterioso, tanto pelo custo elevado quanto pela exigência de receituário agronômico. Ele lembra ainda que o Brasil é referência mundial na reciclagem de embalagens. “Há 21 anos o agricultor é obrigado a devolver toda embalagem. Hoje, 94% retorna ao campo para reciclagem pelo Inpev”, destacou.

Outro ponto apontado por Silva é o retorno dos jovens ao campo, associado à agricultura de precisão e maior consciência ambiental. “Além de afinidade com tecnologia, os jovens trazem práticas sustentáveis que otimizam o uso dos produtos”, afirmou.

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