Pressionados por renda insuficiente e instabilidade no mercado de trabalho, milhões de brasileiros recorrem a marketplaces e vendas online para complementar ganhos ou iniciar uma nova trajetória profissional
A virada para 2026 deve consolidar um movimento que já vinha ganhando força no país: brasileiros impactados pelo desemprego, pela informalidade e pela perda de poder de compra estão encontrando no empreendedorismo digital uma alternativa concreta de geração de renda. Marketplaces como Mercado Livre e TikTok Shop tornaram-se a principal porta de entrada para quem busca recomeçar, seja como complemento financeiro, seja como uma mudança de carreira motivada pelo contexto econômico.
Dados do IBGE mostram que o Brasil encerrou 2024 com cerca de 8,1 milhões de pessoas desocupadas. Entre os ocupados, mais de 25 milhões atuam por conta própria — o maior número já registrado pela pesquisa de emprego. Paralelamente, quase 40% da população economicamente ativa afirma trabalhar para complementar a renda familiar, segundo levantamento da Associação Nacional de Educação Financeira.
Para Hugo Vasconcelos, especialista em vendas por marketplaces e sócio-fundador da VDV Group, o digital deixou de ser apenas uma opção e passou a representar uma saída real para milhares de famílias. “Os marketplaces viraram o caminho de muita gente que precisava recomeçar. Não é só sobre vender online, é sobre devolver renda e perspectiva para quem ficou sem alternativas”, avalia.
Marketplaces como porta de entrada para uma nova carreira
O crescimento do empreendedorismo digital está diretamente ligado à facilidade de entrada nessas plataformas. O Mercado Livre registrou mais de 500 mil novos vendedores em 2024, muitos deles sem experiência prévia em comércio. Já o TikTok Shop segue em forte expansão: estudos do banco Piper Sandler indicam que o volume global de vendas deve ultrapassar US$ 20 bilhões em 2025.
Apesar da oportunidade, o cenário também traz riscos. Segundo Vasconcelos, a ausência de estrutura é o principal fator de desistência. “Hoje qualquer pessoa consegue anunciar e vender, mas muitos não sabem precificar, não controlam estoque e não entendem margem. Sem método, a chance de frustração é grande”, explica.
Essa percepção é confirmada por um relatório da NielsenIQ, que aponta que até 72% dos vendedores iniciantes abandonam suas lojas nos primeiros seis meses por falhas operacionais e de gestão. O que começa como uma tentativa de recomeço acaba, muitas vezes, em prejuízo financeiro.
2026 como ano decisivo para a transição profissional
As projeções para 2026 indicam que a busca por renda alternativa deve se intensificar. O Dieese aponta que o ganho real do trabalhador caiu 1,2% em 2024, enquanto custos básicos como alimentação, transporte e energia seguem pressionando o orçamento familiar.
Nesse contexto, o empreendedorismo digital surge como uma rota mais acessível de transição de carreira. “Muita gente entra nas plataformas por necessidade. O desafio é sair do improviso e transformar isso em um negócio estruturado”, afirma Vasconcelos.
Levantamento da MindMiners reforça essa tendência: 63% dos trabalhadores brasileiros pretendem buscar renda extra em 2026, e 41% demonstram interesse em abrir um pequeno negócio digital. Para muitos, a motivação vai além do dinheiro e está ligada à busca por autonomia, previsibilidade e qualidade de vida.
Avaliações de consultorias de mercado indicam que o comércio digital vem se consolidando como o vetor mais acessível para essa reorganização silenciosa da carreira dos brasileiros. “Estamos vivendo uma nova fase do empreendedorismo. Começar ficou mais fácil, mas continuar exige método, gestão e acompanhamento”, conclui Vasconcelos.
À medida que mais brasileiros recorrem ao digital como porta de saída do desemprego e entrada para uma nova vida profissional, 2026 tende a marcar um divisor de águas entre quem apenas tenta vender e quem consegue, de fato, construir um negócio sustentável.

