ACSP faz projeção de crescimento de até 4%, impulsionada pelo e-commerce; mas juros altos e endividamento das famílias limitam um avanço mais expressivo do varejo
A Semana do Consumidor, data já consolidada no calendário do varejo brasileiro, deve movimentar entre R$ 8,4 bilhões e R$ 8,6 bilhões em vendas neste ano. A estimativa, que considera principalmente o volume transacionado pelo comércio eletrônico, é da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e representa um crescimento entre 2% e 4% em relação ao mesmo período de 2024.
No ano passado, segundo dados da Neotrust Confi utilizados como base para a projeção, o evento movimentou aproximadamente R$ 8,3 bilhões no Brasil. O avanço projetado para 2025 é considerado moderado, refletindo um cenário econômico de duas faces.
Para o economista da ACSP, Ulisses Ruiz de Gamboa, a força da data está no ambiente online. “A data, hoje, é fortemente associada ao comércio eletrônico. Mesmo caindo em um domingo, neste ano, a expectativa é a de que isso não prejudique o desempenho das vendas, já que grande parte das compras ocorre on-line“, explica. Ele destaca que a estratégia dos varejistas de ampliar as ofertas para uma semana inteira dilui a concentração em um único dia e potencializa os resultados.
Apesar da melhora recente nos indicadores de renda e emprego, que naturalmente estimulam o consumo, a ACSP aponta que o crescimento não será mais robusto por conta de dois grandes freios na economia familiar.
“Os juros elevados e o alto nível de endividamento das famílias ainda limitam uma expansão mais forte das compras“, pontua Ruiz de Gamboa. O economista também observa que a proliferação de datas promocionais ao longo do ano, como a Black Friday, faz com que a Semana do Consumidor perca parte de seu impacto isolado, tornando-se mais uma peça em uma sequência contínua de ofertas no e-commerce.

