Levantamento detalhado do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação analisa 93 mil notas fiscais e revela que a guerra no Oriente Médio já impacta o bolso do consumidor e a logística nacional

O preço médio dos combustíveis comercializados pelas distribuidoras aos postos brasileiros registrou uma alta expressiva na primeira semana de março de 2026. Segundo o levantamento semanal do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), o óleo diesel foi o combustível que apresentou os reajustes mais severos em todo o território nacional. A análise, baseada em aproximadamente 93 mil notas fiscais eletrônicas, aponta que o Diesel S10 Aditivado subiu 8,91%, enquanto o Diesel S10 Comum registrou alta de 8,70%.

O cenário internacional é apontado como o principal vetor dessa pressão inflacionária. De acordo com o presidente do Conselho Superior do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, a instabilidade provocada pelos conflitos envolvendo o Oriente Médio, especificamente a Guerra EUA e Israel contra o Irã, reflete diretamente no custo do petróleo. “A guerra traz impactos para todo o mercado de petróleo brasileiro, que foram sentidos alguns dias depois do início dos ataques. As distribuidoras reajustaram seus preços, entendendo a reserva que tinham para subsidiar a recomposição dos seus estoques”, afirma Amaral.

A análise regional do IBPT revela disparidades gritantes no comportamento dos preços pelo país:

  • Região Nordeste: Liderou as altas de diesel no Brasil, registrando um aumento de 13,87% no Diesel S10 Aditivado e 12,96% no Diesel S10 Comum.
  • Região Centro-Oeste: Apresentou o maior reajuste para a gasolina comum, com elevação de 4,73%, além de uma alta de 10,82% no Diesel S10 Comum.
  • Região Norte: Destacou-se como a única região a registrar aumento no preço do etanol comum, com alta de 2,41%, enquanto o restante do país viu o preço do biocombustível recuar.
  • Regiões Sul e Sudeste: Concentraram as maiores reduções no preço do etanol hidratado, com quedas de 2,68% e 2,46%, respectivamente.

A gasolina também seguiu a tendência de elevação nas distribuidoras, embora em patamares inferiores aos do diesel. Na média nacional, a gasolina comum subiu 2,06%, o que representa cerca de R$ 0,11 por litro. O único alento pontual foi registrado na região Sul, onde a gasolina teve uma leve retração de 0,95%. O especialista do IBPT explica que o custo logístico de transporte das distribuidoras até as bases regionais justifica essas diferenças geográficas tão acentuadas.

Para os diretores do instituto, o maior perigo reside no efeito cascata que o diesel exerce sobre a economia. “Como são os mais consumidos, o reflexo na cadeia é automático, com pressão sobre os custos do transporte e, consequentemente, sobre os produtos que dependem da logística rodoviária”, alerta Carlos Alberto Pinto Neto, diretor do IBPT. Com o diesel sendo o combustível vital para o frete nacional, o aumento nas distribuidoras tende a ser repassado rapidamente para os preços de alimentos e mercadorias nas prateleiras dos supermercados.

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