Consumidores do mercado cativo seguem pagando R$ 7,87 a mais a cada 100 kWh; cenário reflete pressões climáticas e regulatórias
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) confirmou, nesta sexta-feira (29), a manutenção da bandeira tarifária vermelha patamar 2 para o mês de setembro. A decisão mantém o acréscimo de R$ 7,87 a cada 100 kWh consumidos nas contas de energia do mercado cativo, o que representa impacto médio de 13% no valor final pago pelos consumidores.
Cenário climático e pressões no setor
Segundo a ANEEL, a medida reflete a continuidade de um cenário climático desfavorável, com seca prolongada em importantes regiões produtoras de energia hidrelétrica. Essa situação aumenta a dependência de fontes termelétricas, cujo custo de operação é mais elevado, e reforça a necessidade de manter a sinalização de preço por meio das bandeiras tarifárias.
Além do clima, o consumo de energia elétrica segue em crescimento, impulsionado pela retomada da atividade econômica e pelo aumento das temperaturas em diversas regiões do país. O setor elétrico trabalha com a possibilidade de novas prorrogações da bandeira vermelha nos próximos meses, caso as condições hidrológicas não melhorem.
Projeções para 2025 e impacto para consumidores
Para o próximo ano, a ANEEL projeta reajuste médio de 6,3% nas tarifas de energia elétrica, percentual que supera a inflação estimada pelo Banco Central, de 5,05%, segundo o Boletim Focus. Especialistas avaliam que o aumento de custos e a pressão sobre o sistema de geração devem manter o tema energia elétrica no centro do debate econômico.
Alan Henn, engenheiro eletricista e CEO da Voltera, avalia que o cenário atual exige novas estratégias de gestão de energia. “Com a manutenção da bandeira vermelha 2, percebemos que fatores climáticos e regulatórios continuam pressionando o setor elétrico. A conta de energia não depende apenas do quanto consumimos, mas de variáveis externas. Por isso, vemos cada vez mais empresas buscando alternativas no mercado livre de energia, onde é possível transformar incerteza em previsibilidade e alcançar economia”, afirma.
Mercado livre de energia em crescimento
O mercado livre de energia tem ganhado espaço como alternativa para empresas e consumidores de maior porte. Nesse modelo, é possível negociar contratos diretamente com geradoras e comercializadoras, obtendo preços mais competitivos e condições ajustadas ao perfil de consumo. A expectativa é que, até 2028, o mercado seja ampliado para consumidores de menor porte, com a abertura gradual do setor.

