O texto anterior foi fechado com a expectativa de prosseguimento de nossa conversa sobre inflação, taxa de juros interna (sempre de olho na economia estadunidense) etc. Pois bem, a 249a. reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) terminou com a decisão de manter a meta da taxa Selic em 13,75% a.a., confirmando a expectativa de grande parte dos analistas, que vinha sendo mostrada nos relatórios Focus mais recentes. Começo esta modesta análise apontando o fato de que a decisão não foi unânime, entre os membros do Copom. Dos 9 votantes, 7 foram vencedores e 2 vencidos. Os votos vencidos foram de elevação da meta em 0,25 ponto percentual, o que a levaria aos 14,0 % a.a.. O registro desses 2 votos divergentes dos vencedores ganha importância ao significar que considerar a possibilidade de novo ajuste para cima na taxa básica não é delírio algum. Insisto em que, necessariamente por prudência, não apaguemos uma Selic de 14,0 % a.a. de nossos radares.

Na mesma data em que conhecemos a decisão do Copom, o Federal Reserve aumentou em 0,75 ponto percentual sua taxa básica de juros. Em terras de Mr. Biden, a guerra contra a maior inflação em 40 anos está longe de ser vencida e, pior, o  risco de recessão é agudo. Nessa esteira, apreensão quanto à possível recessão europeia não é exagero, pois, lá, a inflação está surrando diversas economias. No que se refere às relações entre Ucrânia e Rússia, noticiário desta semana é bastante inquietante para todo o mundo, não só por óbvias questões humanitárias, mas também pelas possíveis (algumas já efetivas) consequências econômicas de longo alcance, que a todos atormentam. Cenário angustiante, não é mesmo?

Esta coluna já comentou as diversas boas notícias econômicas que têm alegrado o Brasil, em semanas recentes. Os números bons estão aí, sim, e ainda conheceremos alguns mais, entretanto há o convite à cautela no ar. Não nos esqueçamos da questão fiscal brasileira, um pouco fora das luzes há menos de 10 dias do 1º. Turno das eleições e pode não haver coincidência nisso. Essa pauta (a fiscal) é muito sensível e está batendo à nossa porta, juntamente com um cenário global muito ruim. Nossos empresários não devem, sob meu ponto de vista, descuidar dessas ameaças, pois elas são reais e potencialmente poderosas.

Voltando a tratar de nossa taxa de juros … Em seu comunicado mais recente, o Copom afirma que “se manterá vigilante, avaliando se a estratégia de manutenção da taxa básica de juros por período suficientemente prolongado será capaz de assegurar a convergência da inflação. (…) irá perseverar até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”. Além dessas palavras muito significativas, em cada uma de suas letras, o Copom alerta que  “os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso o processo de desinflação não transcorra como esperado. (Todos os grifos são meus). Seguindo pensamento conservador, a partir dos sinais emitidos pelo Banco Central e o cenário global, penso ser realista considerar a manutenção do atual nível de Selic, em boa parte do 1º semestre de 2023. 

Em alguns momentos, tenho a impressão de que faltam muito mais que três meses para o fim deste longuíssimo ano. Ainda bem que a Estação das Flores chegou. Que além de flores, melhores perspectivas nos cerquem.

Até breve!

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