Projeção da CNC indica crescimento nas vendas durante o período, enquanto especialistas apontam que modelos por assinatura ganham espaço ao reduzir impactos de feriados prolongados no faturamento

O Carnaval de 2026 deve movimentar cerca de R$ 14,5 bilhões na economia brasileira, segundo projeções da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), com crescimento real superior a 3% em relação ao ano anterior. Apesar do impacto positivo, o período também evidencia desafios estruturais para o varejo tradicional, que enfrenta interrupções nas operações durante feriados prolongados.

Grande parte do movimento econômico se concentra em poucos dias, enquanto lojas físicas permanecem fechadas e equipes fora de operação. Para Luan Gabellini, CEO da Betalabs, empresa especializada em e-commerce e gestão de assinaturas, esse cenário reforça a fragilidade de modelos baseados exclusivamente em vendas pontuais.

Segundo o executivo, quando o negócio depende apenas do funcionamento da loja ou da atuação direta do time comercial, feriados prolongados podem representar risco imediato para o fluxo de caixa. Em contrapartida, modelos recorrentes permitem cobranças automáticas contínuas, inclusive em períodos de baixa operação, reduzindo oscilações no faturamento.

Modelos de assinatura ganham espaço

O avanço das transações automáticas no Brasil acompanha essa mudança de comportamento no varejo. Dados do Banco Central apontam que o país registrou mais de 140 bilhões de transações recorrentes em 2025, evidenciando a consolidação desse formato em diferentes setores da economia.

Informações da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços indicam que o modelo vem crescendo especialmente em áreas como serviços digitais, educação, clubes de produtos e negócios híbridos. A previsibilidade financeira e a redução da dependência de datas sazonais aparecem como principais atrativos para empresas que buscam maior estabilidade operacional.

Menos sazonalidade, mais previsibilidade

Para especialistas, a expansão dos modelos recorrentes não elimina a importância das vendas tradicionais, mas amplia o leque estratégico das empresas. A combinação entre receitas pontuais e recorrentes tem sido vista como alternativa para equilibrar períodos de alta demanda, como o Carnaval, com fases de menor movimentação.

Nesse contexto, o desafio para o varejo está em adaptar processos e cultura para novas formas de relacionamento com o consumidor, apostando em experiências contínuas e em soluções digitais que mantenham o negócio ativo independentemente do calendário.

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