Nos artigos anteriores, afirmamos que a Economia Criativa e Solidária precisa de governança, políticas públicas integradas e infraestrutura adequada para se tornar permanência. Agora é hora de avançar um passo além: transformar estrutura em execução.

Além de organizar conselhos, criar editais e estruturar redes, é necessário estabelecer metas, indicadores e compromissos claros assim, as boas intenções se seguem para realizações, com planejamento, elas se consolidam.

Se 2026 foi apresentado como o ano da transição consciente e da organização estrutural, o próximo movimento natural é a consolidação com planejamento estratégico e responsabilidade compartilhada.

Planejamento territorial: decidir onde queremos chegar

Todo território que prospera sabe responder a uma pergunta simples e direta: onde queremos estar em cinco anos?

Atibaia e região possuem diversidade cultural, produção artesanal expressiva, iniciativas cooperativas consolidadas e vocação turística reconhecida, mas todo esse potencial e ações já em andamento podem gerar ainda mais  desenvolvimento estruturado com a definição de metas concretas:

  • Quantos empreendimentos criativos e solidários desejamos formalizar ou fortalecer?
  • Qual percentual das compras públicas pode priorizar produtos e serviços locais?
  • Qual meta de geração de renda pode ser alcançada por meio de redes cooperativas?
  • Como ampliar a participação de jovens e mulheres nesses empreendimentos?

Planejar é dar direção, medir para evoluir: indicadores importam e muito.

A Economia Criativa e Solidária não pode prescindir de indicadores apenas porque tem base ética e comunitária, pelo contrário, transparência e avaliação fortalecem o modelo.

Alguns indicadores são estratégicos:

  • Geração média de renda por empreendimento.
  • Número de cooperativas ativas e sustentáveis.
  • Volume de comercialização em feiras e plataformas digitais coletivas.
  • Participação feminina e juventude produtiva.
  • Impacto ambiental reduzido por meio de práticas sustentáveis.

Vale ressaltar que medir não significa mercantilizar, significa amadurecer.

O bom diagnóstico se faz com dados bem definidos e promove políticas eficazes, pactos regionais, compromisso público e privado.

Nenhuma transformação territorial ocorre de forma isolada. É necessário construir pactos.

Um Pacto Regional pela Economia Criativa e Solidária deve envolver:

  • Poder público municipal como articulador.
  • Associações comerciais como parceiras estratégicas.
  • Cooperativas e coletivos culturais como protagonistas.
  • Universidades como centros de pesquisa, inovação e formação.
  • Empreendedores independentes como força viva do território.

A continuidade de programas de desenvolvimento se faz com compromisso institucional, formalizado, articulado e sustentável sobre os aspectos econômico, social e ambiental.

Universidades e formação: base técnica para crescer com identidade

A consolidação do modelo exige qualificação contínua, Incubadoras universitárias, laboratórios de inovação solidária, cursos de gestão cooperativa e formação em comercialização digital ética são instrumentos essenciais.

A tecnologia deve ser meio, não fim. Deve ampliar o alcance dos empreendimentos locais sem descaracterizar suas raízes, modernizar com respeito à tradição.

Economia Criativa e Solidária como estratégia de desenvolvimento

Quando estruturada, planejada e monitorada, a Economia Criativa e Solidária deixa de ser alternativa marginal e passa a ser estratégia central de desenvolvimento local:

  • Gera renda distribuída.
  • Fortalece vínculos comunitários.
  • Valoriza saberes tradicionais.
  • Reduz desigualdades.
  • Estimula permanência produtiva no território.
  • Contribui para sustentabilidade ambiental.

Em tempos de instabilidade econômica e crises ambientais recorrentes, esse modelo não é apenas ético. É racional.

Atibaia e região: o momento é agora

Atibaia reúne condições reais para se tornar referência regional em Economia Criativa e Solidária através da coordenação com metas claras e compromisso público.

Metas bem definidas e compartilhadas promovem foco consciente, a articulação de todos gera união e fortalecimento, o planejamento traz direção estratégica, governança ativa e pactos concretos para proporcionar o desejado  desenvolvimento estruturado.

Se 2026 foi o ano de organizar princípios e estruturar bases, que os próximos anos sejam os da consolidação com metas cumpridas e resultados visíveis.

Todo esse caminho levará aos horizontes da prosperidade com justiça social, identidade cultural e sustentabilidade ambiental.

Aqui refletimos.
No dia a dia das cidades, realizamos.

Até o próximo artigo.

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