O modelo de vendas diretas no agronegócio se expande rapidamente, impulsionado pelo relacionamento direto com produtores rurais e a eliminação de intermediários
Crescimento das vendas diretas no agro
No Brasil, 3,5 milhões de pessoas atuam no setor de vendas diretas, um modelo baseado na comercialização de produtos e serviços sem intermediários, por meio de empreendedores independentes. O setor movimenta mais de R$ 47 bilhões ao ano, colocando o Brasil entre os sete países com maior adoção desse formato, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD).
O modelo de vendas diretas no agronegócio vem ganhando força no Brasil, com empresas expandindo sua atuação para atender produtores rurais de forma mais personalizada. Esse crescimento tem sido impulsionado pela busca por alternativas mais próximas e acessíveis para a compra de insumos agrícolas.
De acordo com Guilherme Trotta, cofundador da Produce, a força de vendas diretas no agro cresceu mais de 100% em 2024 na comparação com 2023. “Lideramos esse modelo de negócio no agro para aproximar fornecedores dos produtores rurais. O crescimento expressivo reflete a aceitação do mercado, com a base de consultores dobrando e as vendas aumentando 30% em 2023. Para 2025, prevemos dobrar o volume de negócios”, projeta Trotta.
Oportunidade para novos profissionais
As vendas diretas também surgem como uma alternativa acessível para quem deseja ingressar no mercado de trabalho no agronegócio, especialmente para os mais jovens. De acordo com um levantamento da ABEVD, 53,5% dos empreendedores desse segmento no Brasil têm entre 18 e 29 anos.
A flexibilidade de horário e a possibilidade de bons rendimentos atraíram o jovem consultor Thiago Oliveira, de 23 anos, que ingressou no setor aos 19, na região de Açailândia (MA). “Quando conheci o formato de trabalho, logo identifiquei que era um modelo perfeito para conciliar com meus estudos. Mas com o tempo, percebi que poderia ser uma excelente fonte de rentabilidade apenas aproveitando meu relacionamento com os produtores”, conta Thiago.
No entanto, as vendas diretas não são apenas uma oportunidade para jovens. Profissionais mais experientes também têm encontrado nesse modelo de negócio uma forma de continuar ativos no mercado e complementar a renda.
Evandro Neiva, veterinário e consultor de vendas em Anápolis (GO), decidiu, aos 61 anos, migrar para as vendas diretas no setor agropecuário. “O que me chamou a atenção foi a variedade de produtos disponíveis e a possibilidade de trabalhar de forma mais flexível. Hoje, além de atuar com nutrição e biológicos, também invisto na venda de sementes de sorgo e milho, aproveitando minha rede de contatos construída ao longo dos anos”, relata Neiva.
Perspectivas para o futuro
Com um setor agropecuário em constante expansão e a busca por alternativas de comercialização mais acessíveis e diretas, a tendência é que as vendas diretas no agronegócio sigam crescendo nos próximos anos. A expectativa dos especialistas é de que esse modelo continue a gerar oportunidades tanto para fornecedores quanto para empreendedores que buscam maior autonomia e proximidade com os clientes.