A inteligência artificial deixou de ser uma promessa tecnológica para se tornar uma força estrutural que reorganiza o trabalho, a economia e, principalmente, a forma como diferentes gerações enxergam o futuro. Porém o ponto central não é a tecnologia em si, é como cada geração interpreta, reage e se posiciona diante dela.
O debate público ainda oscila entre dois extremos: “a IA vai acabar com os empregos” ou “a IA vai salvar o trabalho”. Nenhum dos dois é totalmente verdadeiro.
Estudos recentes mostram um cenário mais complexo. Um levantamento do Fórum Econômico Mundial indica que 41% dos empregadores planejam reduzir equipes devido à IA, enquanto ao mesmo tempo novas funções surgem em ritmo acelerado . Outro relatório aponta que 170 milhões de empregos devem ser criados globalmente, contra 92 milhões eliminados, gerando saldo positivo, mas com forte reconfiguração das funções .
Ao mesmo tempo, pesquisas mostram que a IA já está alterando o acesso ao mercado, principalmente para iniciantes. Após a popularização de ferramentas como o ChatGPT, houve queda de até 12% nas vagas em ocupações mais expostas à automação, com impacto maior sobre profissionais em início de carreira .
A Geração Z ao mesmo tempo que são os mais adaptáveis também são os mais expostos.
Dados mostram que 30% dos profissionais entre 18 e 26 anos acreditam que a IA terá impacto positivo em suas carreiras, mas também são os que mais temem substituição .
A IA está, na prática, eliminando parte do “primeiro degrau” da carreira, tarefas operacionais, assistenciais e repetitivas que historicamente eram a porta de entrada para jovens profissionais.
Os Millennials ocupam hoje o centro do mercado, liderando equipes, construindo carreira e lidando diretamente com a implementação da IA. Estudos indicam que a IA pode aumentar produtividade entre 20% e 60% em determinadas tarefas, especialmente quando combinada com trabalho humano .
O risco aqui não é a substituição imediata, mas a obsolescência silenciosa, profissionais que continuam trabalhando como antes, em um sistema que já mudou.
Para gerações mais antigas(Gen X e Baby Boomers), o desafio não é necessariamente aprender a usar ferramentas, é adaptar a forma de pensar o trabalho porque exige uma mudança cultural profunda.
Pesquisas mostram que trabalhadores mais velhos tendem a ser menos otimistas em relação à IA, mas isso não significa menor capacidade de adaptação, e sim maior percepção de risco .
O impacto mais relevante da inteligência artificial não está apenas nos empregos, mas na estrutura do trabalho. Estamos saindo de um modelo baseado em funções para um modelo baseado em tarefas e capacidades.
Como aponta a pesquisadora Milagros Miceli, existe um trabalho invisível por trás da inteligência artificial, pessoas que treinam, ajustam e interpretam sistemas. A tecnologia não elimina o humano; ela redistribui onde ele é necessário.
A pergunta que faço com frequência é:
Quais gerações estão se preparando para trabalhar com a inteligência Artificial e não contra ela?

Palestrante, comunicador e entusiasta das gerações. Estuda recursos humanos e empreende nas áreas de Comunicação e Marketing. Criou a primeira agência de marketing do Brasil focada em comunicação geracional (Pós Z Company), sediada em Bragança Paulista, onde atualmente só contrata colaboradores da Geração Z e Geração Alpha. Dedica-se a construir um ecossistema de comunicação geracional para preparar jovens para o mercado de trabalho futuro e conscientizar as empresas para receberem esses jovens com sua nova agenda e visão de mundo.

