Contrariando estimativas, 56% da Geração Z deseja adquirir um imóvel em 2026; especialista aponta que “falta de organização” é o maior obstáculo

Um sonho que atravessa gerações: o primeiro imóvel próprio. Contrariando a crença de que os jovens estão mais ligados a experiências do que à construção de patrimônio, uma pesquisa da Brain Inteligência Estratégica, realizada em novembro de 2025, apontou que a Geração Z (com idade entre 21 a 28 anos) apresentava a maior intenção de compra entre as demais faixas etárias, com 56% dos entrevistados desejando adquirir um imóvel dentro dos próximos meses. Os dados contrastam com a ideia de que os jovens estão menos ligados a investir na casa própria e mais voltados para experiências como viagens, consumo e estilo de vida.

Por outro lado, o levantamento Retratos do Morar, divulgado no final de 2025 pela Ipsos-Ipec e encomendado pelo Grupo QuintoAndar, apontou que, apesar do interesse, o principal obstáculo para transformar esse plano dos jovens em realidade é o financeiro: 62% dos jovens brasileiros acreditam estar mais complicado adquirir um imóvel atualmente do que em gerações anteriores, apesar de 72% dos entrevistados sonharem com a casa própria.

Para a educadora financeira Kallenya Lima, o desalento de muitos jovens nasce da falta de organização e planejamento. “O erro é se preocupar justamente com a parcela, a entrada, mas não se organizar para chegar neste momento”, destaca. O cenário atual reflete um comportamento mais comum de esperar a estabilidade financeira antes de assumir o compromisso de um financiamento. Além disso, os jovens estão se casando mais tarde que nas gerações anteriores, o que impacta diretamente na decisão final. Segundo o IBGE, em 2024, a idade média ao casar atingiu 31,5 anos para homens e 29,3 anos para mulheres, um aumento significativo nas duas décadas anteriores.

Estratégia: Morar com os pais como alavanca e investimento

De acordo com Kallenya, a principal dica para conseguir se planejar a longo prazo e tirar esse sonho do papel é equilibrar as contas e traçar prioridades. “É preciso buscar o equilíbrio. Muitas pessoas desistem antes de começar. E nesse desistir, elas estão trocando sonhos por desejos, que é no dia a dia, fazendo os gastos desnecessários que não vão acrescentar na vida delas”, salienta a educadora.

O corretor de imóveis e diretor da URBS Connect, Gustavo Abdala, observa que muitos jovens já estão desenvolvendo carreira e têm ganhos financeiros, mas continuam morando com os pais. “A dica é aproveitar que as despesas são menores para poupar”, diz, corroborando com a economista. Ele relata que alguns jovens continuam morando na casa dos pais e compram o imóvel com o pensamento de investimento. Ele usa o imóvel como boa renda e, quando for o momento, pode fazer uso próprio do bem.

Comece pequeno, mas comece

Kallenya Lima chama a atenção para o fato de se fazer simulação do imóvel pretendido e colocá-lo como meta, mas aconselha começar com os pés no chão. “Comece pequeno, mas comece, pois o imóvel vai sempre valorizar acima dos ganhos médios da população. Compre algo que seja menor e mais simples, que caiba no orçamento, e no futuro parta para o upgrade do imóvel”, conclui a especialista.

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