Quando voltei a morar em Atibaia no final de 2024, comecei a repensar tudo o que eu queria construir na cidade.
Na minha primeira passagem por aqui, entre 2014 e 2019, minha relação com Atibaia acabou sendo mais superficial. Eu estudava e trabalhava em outra cidade, e Atibaia era, na maior parte do tempo, apenas um lugar para dormir durante a semana e aproveitar algum lazer aos finais de semana.
Agora, trabalhando novamente na cidade e com grande parte da minha rotina conectada a ela, decidi que queria fazer algo pela cidade e com a cidade.
Foi então que comecei a olhar com mais atenção para algo que sempre foi uma das minhas grandes paixões: o esporte.
Nos últimos meses, buscando caminhos que conectassem esse novo projeto pessoal com a realidade local, tive a oportunidade de conhecer pessoas que realizam trabalhos incríveis dentro do esporte na cidade. Aos poucos, fui me aproximando dessas iniciativas e hoje tenho me envolvido cada vez mais com elas.
Quando pensamos em esporte, a primeira imagem que costuma vir à mente é a competição: o jogo, a torcida, o placar final.
Isso é natural. Muitas vezes estamos tão acostumados a acompanhar apenas o resultado que acabamos enxergando apenas a superfície de tudo o que acontece.
Mas por trás de cada partida existe uma estrutura muito maior.
Existe gestão, formação, investimento, trabalho de base e, principalmente, um projeto coletivo que envolve cidade, famílias e instituições.
É nesse contexto que surgem as associações esportivas.
São organizações que, muitas vezes de forma silenciosa, estruturam projetos capazes de transformar vidas e, ao mesmo tempo, movimentar a economia local.
Essas associações normalmente nascem de um propósito simples: criar oportunidades através do esporte.
Um grupo de professores, ex-atletas, dirigentes ou entusiastas decide organizar treinamentos, formar equipes e abrir caminhos para que crianças e jovens tenham acesso à prática esportiva de forma estruturada.
Com o tempo, o projeto cresce.
Os treinos se multiplicam, as equipes começam a disputar campeonatos e a associação passa a representar a cidade em competições regionais, estaduais e até nacionais.
Mas existe um ponto fundamental nessa jornada: a gestão e a viabilidade financeira do projeto.
É aqui que entra um dos instrumentos mais importantes para o desenvolvimento do esporte no Brasil: a Lei de Incentivo ao Esporte.
Por meio dela, empresas e apoiadores podem destinar parte de seus impostos para financiar projetos esportivos aprovados. Isso permite que associações ampliem suas atividades, invistam em estrutura, capacitação de profissionais e participação em competições.
Na prática, isso significa que o esporte deixa de ser apenas uma atividade extracurricular e passa a ser um verdadeiro programa de desenvolvimento social e educacional.
Em Atibaia, um exemplo claro desse modelo é o trabalho desenvolvido pela Associação Esportiva de Atibaia (AEA), que organiza e fortalece o voleibol na cidade.

A associação atua estruturando treinamentos, equipes e participação em campeonatos, criando um ambiente onde atletas podem evoluir tecnicamente e, ao mesmo tempo, desenvolver valores fundamentais como disciplina, trabalho em equipe e resiliência.
Para os atletas, o impacto é evidente.
Mas o efeito do esporte vai muito além da quadra.
Projetos esportivos bem estruturados fortalecem a imagem da cidade, criam oportunidades para jovens e aproximam comunidade, empresas e poder público em torno de um objetivo comum.
Além disso, o esporte também movimenta a economia local.
Delegações que chegam para disputar campeonatos utilizam hotéis, restaurantes e diversos serviços da cidade. Famílias acompanham jogos, eventos esportivos movimentam ginásios e o comércio ao redor também sente esse impacto.
O esporte passa a gerar um ciclo econômico positivo para o município.
E é justamente essa união que torna o esporte um dos instrumentos mais poderosos de desenvolvimento regional.
Porque quando uma associação funciona bem, ela não forma apenas atletas.
Ela forma cidadãos.
Fortalece vínculos comunitários.
Movimenta a economia.
E, acima de tudo, mostra que investir em esporte é investir no futuro da cidade.
No fim das contas, cada treino, cada campeonato e cada projeto esportivo representa algo muito maior do que o resultado de uma partida.
Representa a chance de um jovem descobrir seu potencial, de uma família acompanhar o crescimento de um filho e de uma cidade se unir em torno de algo positivo.
E talvez seja justamente esse o maior valor das associações esportivas: lembrar que o esporte, quando bem estruturado, tem o poder de transformar histórias individuais e, ao mesmo tempo, escrever um novo capítulo para toda a comunidade.

Administrador com pós-graduação em Marketing pela ESPM, Thiago Grassi é consultor e palestrante, com mais de 10 anos de experiência em gestão de empresas. Atua na liderança de startups de tecnologia e marketing, com foco em inovação, automações e estratégias digitais. Apaixonado por esportes desde a infância, acompanha de perto o cenário esportivo e estuda o impacto econômico que ele gera nas cidades e regiões, explorando oportunidades de desenvolvimento local. Também atua como docente convidado do Senac nos cursos de Administração e Marketing.

