Especialista aponta que a gestão industrial vive uma transição histórica, onde a experiência acumulada deixa de ser a única bússola para dar lugar a decisões baseadas em evidências técnicas e preditividade
A dinâmica das operações industriais atravessa uma transformação que vai além da modernização de máquinas: a mudança é na mentalidade decisória. Em um cenário de alta pressão por eficiência e redução de custos, o modelo de gestão baseado exclusivamente na intuição e na experiência prática está sendo substituído por uma governança orientada por dados. Embora o conhecimento acumulado dos gestores continue sendo um ativo valioso, a complexidade produtiva atual exige que a vivência de chão de fábrica seja ampliada por evidências confiáveis e em tempo real.
Segundo Diego Vieira Nunes, executivo e advisor de performance industrial, o gestor não abandona sua vivência, mas passa a operá-la sob um novo prisma. “O gestor industrial não deixa de usar experiência, mas passa a ampliá-la com evidências. O que muda é que decisões críticas deixam de depender apenas da percepção individual e passam a ser sustentadas por dados confiáveis”, afirma o especialista. Com o suporte de inteligência artificial e plataformas analíticas, o papel do líder deixa de ser reativo para se tornar preditivo, antecipando gargalos e otimizando recursos antes que as falhas ocorram.
No entanto, Nunes alerta que a tecnologia por si só não é a solução definitiva. Ele pontua que o erro comum é acreditar que dashboards resolvem o problema, pois “informação visualizada não significa decisão melhor. O valor surge quando o dado chega ao gestor com contexto, prioridade e impacto claro no negócio”. Essa mudança exige uma quebra de barreiras culturais, já que a maturidade digital traz transparência e desafia modelos tradicionais de poder e hierarquia dentro das fábricas.
Para que essa transição seja sustentável, a governança de dados torna-se tão vital quanto a própria tecnologia. Sem padronização e confiança na informação, a tendência é que o decisor ignore o sistema e retorne ao modelo intuitivo. “Quando o decisor não confia no dado, ele simplesmente ignora. Por isso, governança é tão importante quanto tecnologia”, conclui Diego. Ao integrar dados à rotina, as empresas garantem não apenas ganhos operacionais, mas uma inteligência ampliada que redefine a competitividade no mercado moderno.

