O crescimento do Pix tem transformado hábitos de consumo, mas especialistas destacam que cartões de crédito seguem essenciais para algumas operações

Desde seu lançamento em novembro de 2020, o Pix se tornou uma ferramenta central no sistema financeiro brasileiro. Em 2024, o sistema atingiu mais de 6 bilhões de transações mensais, superando o volume combinado de cartões de crédito e débito, segundo dados da Matera.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o Pix é uma infraestrutura pública estratégica. “É uma segurança para o país que ele seja gerenciado e administrado pelo Banco Central”, destacou, ressaltando que o sistema não deve ser visto como concorrente direto dos cartões. Atualmente, há 858 milhões de chaves registradas e uma média de 250 milhões de transações diárias.

Complementaridade entre meios de pagamento
Especialistas indicam que Pix e cartões desempenham funções diferentes e complementares. Luiz Guardieiro, diretor de receita da Portão 3 (P3), afirma: “A escolha entre Pix e cartão depende do contexto da compra, do perfil do consumidor e da estrutura da operação”. Um estudo do Banco de Compensações Internacionais (BIS) confirma que a introdução de pagamentos instantâneos estimulou a digitalização, ampliando o uso de cartões e boletos.

Na prática, o Pix oferece velocidade e baixo custo, com média de 0,22% por transação para comerciantes, enquanto cartões podem ter taxas de até 2,2% no crédito. Entretanto, cartões mantêm vantagens em parcelamentos e compras internacionais, onde o Pix ainda não é amplamente aceito.

Impacto no varejo digital
No comércio eletrônico, o Pix tem ganhado relevância. Um levantamento da PCMI projeta que até o fim de 2025 o sistema deve responder por 44% das transações, superando os cartões, que representariam 41%. A tecnologia, a confiança do consumidor e a digitalização acelerada pós-pandemia são fatores que impulsionam esse avanço.

O Banco Central também investe na evolução do Pix. O Pix Automático, lançado em junho de 2025, permite pagamentos recorrentes com um único consentimento, abrindo espaço para mensalidades, assinaturas e contas fixas. Além disso, o Pix Parcelado será testado ainda este ano, oferecendo novo diferencial frente aos cartões de crédito.

Convivência dos meios
A análise do mercado indica que o caminho natural é a coexistência entre Pix e cartões, aproveitando as vantagens de cada sistema e beneficiando os consumidores com mais opções, inovação e flexibilidade.

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