Fevereiro é um dos meus meses favoritos. Sim, eu gosto muito de Carnaval. Acho que a energia envolve a todos, até mesmo quem é mais caseiro nessa época.
No último final de semana de janeiro, em Atibaia, aconteceu um evento atípico. Quem viveu percebeu que foi algo além de um torneio esportivo. No famoso ginásio da cidade, o Elefantão, aconteceu o 1º Festival de Vôlei Master Feminino de Atibaia, com a chamada “Por Elas”.

Chegando ao estádio, percebi que a causa era muito maior do que apenas um jogo de vôlei. Na recepção dos times, já existia um clima totalmente de confraternização, mesmo entre equipes que não se conheciam. Mulheres de várias idades, histórias e cidades se encontravam em quadra com algo em comum: a paixão pelo esporte e o desejo de ocupar espaços que, por muito tempo, não foram pensados para elas.
O festival reuniu cerca de 120 pessoas entre atletas e comissões técnicas, com equipes de Atibaia, São Paulo, Jundiaí, Campinas e Bragança Paulista. Categorias 30+, 40+, 50+ e 60+. Um dado que, por si só, já quebra muitos estereótipos sobre idade, performance e protagonismo feminino no esporte. Confesso que, quando comecei a assistir aos primeiros jogos, não estava acreditando na potência das partidas. Aquilo me surpreendeu muito!
Mas o que mais me chamou atenção foi o propósito. O “Por Elas” nasce como um movimento de conscientização no combate à violência contra a mulher, utilizando o esporte como ferramenta de respeito, união e fortalecimento feminino. E isso muda tudo.
Quando o esporte carrega causa, ele deixa de ser apenas entretenimento. Ele vira mensagem. Vira posicionamento. Vira transformação social.
Ao longo do dia, vi arquibancadas ocupadas por familiares, amigos, apoiadores e curiosos. Vi trocas de experiências entre atletas que começaram a jogar em épocas completamente diferentes. Vi mulheres que talvez nunca tivessem dividido a mesma quadra, agora dividindo histórias, risadas e desafios.
E, como sempre acontece, enquanto muitos enxergam apenas o jogo, existe um ecossistema inteiro se movimentando silenciosamente ao redor dele.
Além disso, eventos como esse fortalecem marcas locais, projetos esportivos, associações e iniciativas que dependem de visibilidade para continuar existindo. O esporte feminino, quando bem organizado, não só ocupa espaço — ele gera valor econômico, cultural e social.
Outro ponto importante é a longevidade esportiva. O vôlei master mostra que o esporte não precisa terminar em determinada idade. Ele pode acompanhar fases da vida, promover saúde, pertencimento e qualidade de vida. Isso reduz custos públicos com saúde, fortalece vínculos comunitários e amplia o papel do esporte como política social.
O Por Elas também deixa um recado claro para empresas e patrocinadores: investir no esporte feminino não é caridade. É visão estratégica. É apoiar eventos que têm público, engajamento, causa e impacto real na cidade.
Atibaia mostrou, mais uma vez, que quando o esporte é bem pensado, ele conecta pessoas, movimenta a economia e fortalece a identidade local.

Saí do estádio naquele dia com uma sensação muito boa, pensando que idade é realmente só um número. Vi mulheres de 58 anos pulando na rede e cortando como se essa questão fosse irrelevante. O esporte sempre acha um jeito de nos surpreender!
Até a próxima!

Administrador com pós-graduação em Marketing pela ESPM, Thiago Grassi é consultor e palestrante, com mais de 10 anos de experiência em gestão de empresas. Atua na liderança de startups de tecnologia e marketing, com foco em inovação, automações e estratégias digitais. Apaixonado por esportes desde a infância, acompanha de perto o cenário esportivo e estuda o impacto econômico que ele gera nas cidades e regiões, explorando oportunidades de desenvolvimento local. Também atua como docente convidado do Senac nos cursos de Administração e Marketing.

