O escândalo envolvendo as supostas assinaturas falsificadas de Ana Hickmann reacendeu o debate sobre a grafologia, seu uso e sua assertividade nos dias atuais, em um contexto onde as pessoas escrevem cada vez menos e se comunicam mais por teclados. A Grafologia, uma ciência com registros datados desde 1622 na Itália e no Brasil em 1900, embora já fosse estudada e aplicada pelos chineses desde o Século XI, utiliza técnicas para analisar os traços da escrita, revelando aspectos de comunicação, caráter, identidade sexual, medos, inseguranças, potencialidades e aptidões pessoais e profissionais que o indivíduo sabe, nega ou não aceita.
Além disso, a grafotécnica serve não só para identificar características de personalidade, mas também para detectar fraudes em documentos.
A apresentadora, que acusa o ex-marido Alexandre Correa de falsificar sua assinatura em documentos bancários, afirma que nunca autorizou os papéis que resultaram em dívidas milionárias em seu nome.
Como um estudioso de grafologia, posso dizer que a escrita manuscrita carrega marcas únicas e intransferíveis, além de afirmar que a assinatura é um gesto gráfico pessoal, tão exclusivo quanto uma impressão digital. Quando há falsificação, por mais que o traço pareça semelhante, é possível identificar incoerências no ritmo, na pressão, nas tendências e na fluidez da escrita.
O que torna a grafologia tão fascinante é como os traços de nossa escrita podem revelar muito sobre quem somos, muitas vezes de maneira inconsciente. A pressão com que escrevemos, por exemplo, pode indicar nosso nível de energia ou emocionalidade. Traços pesados podem sugerir uma pessoa determinada e intensa, enquanto traços leves podem indicar sensibilidade e introspecção. O formato das letras também é revelador: letras arredondadas podem apontar para criatividade, enquanto letras angulosas sugerem uma personalidade mais analítica. E a inclinação das letras? Pode até indicar se somos mais extrovertidos ou reservados.
Apesar de não seja aceita como prova jurídica isolada, a análise grafológica é uma ferramenta complementar amplamente utilizada no Brasil. Embora não tenhamos dados atualizados sobre o uso da técnica, um levantamento da Deloitte revelou que 42% das empresas públicas e privadas no país utilizam a grafologia para analisar manuscritos e complementar a avaliação dos candidatos durante o processo de contratação. “A escrita espontânea pode revelar muito sobre equilíbrio emocional, organização, capacidade de liderança e até a propensão a assumir riscos.
Países como França e Israel lideraram o uso da grafologia em recrutamento. Em décadas passadas, cerca de 70% das empresas francesas contrataram grafólogos para avaliar candidatos. Em Israel, o índice chegou a 60%, com bancos exigindo o teste grafológico para todos os funcionários. Embora o uso tenha diminuído com o avanço dos testes psicométricos, a técnica ainda persiste em nichos, especialmente em processos seletivos para cargos de liderança ou em empresas que preferem métodos tradicionais.
Um dos argumentos a favor da grafologia é que ela oferece uma avaliação 100% assertiva, rápida, de baixo custo e difícil de ser manipulada. Mas, como qualquer ferramenta, precisa ser usada com responsabilidade. O ideal é que esteja integrada a outros métodos de análise, como entrevistas e testes comportamentais.
A grafologia também sofre críticas. Diversos estudos científicos questionam sua eficácia e apontam que os resultados podem ser subjetivos. Organizações como a Sociedade Britânica de Psicologia afirmam que a técnica tem baixa validade preditiva. Ainda assim, defendo que, quando aplicada por profissionais treinados, ela pode fornecer insights valiosos, especialmente em casos em que aspectos comportamentais e éticos fazem diferença.
No caso de Ana Hickmann, os laudos periciais irão avaliar a compatibilidade entre as assinaturas contestadas e a escrita original da apresentadora. “A grafologia pode ser uma aliada na detecção de fraudes, mas, nesse caso, o trabalho da perícia grafotécnica será fundamental”, O gesto de assinar algo carrega uma identidade. E é isso que está sendo questionado agora: quem, de fato, escreveu aquilo?
Concluo com uma provocação: Já se perguntou o que a sua assinatura diz sobre você? Será que a sua escrita poderia ser a chave para revelar mais sobre suas aptidões pessoais e profissionais ou entregaria tudo aquilo que você esconde sobre sua conduta?

Executivo de RH e Coach Executivo de diretores, VP’s e CEO’s de empresas nacionais e multinacionais, atendendo clientes em 13 países. Foi executivo de RH de uma das maiores empresas de bens de consumo do país, já desenvolveu mais de 38.000 profissionais ao longo dos seus 24 anos de carreira. Formado em Relações Públicas pela PUCCAMP, pós-graduado em Consultoria de Carreira pela FIA/USP e com 5 certificações internacionais em PNL e Coaching Integrado. Marcos é referência em Carreira e Gestão em veículos como: Valor Econômico, InfoMoney, G1, Yahoo Finance, Globo/EPTV, SBT, Você S/A, TV Bandeirantes, Nova Brasil FM, Carreira & Negócios entre outras, tendo mais de 120 matérias publicadas.
