Pesquisa aponta que mais de 60% da população tem duas ou mais ocupações para manter o básico, alcançar metas ou quitar dívidas

Diante do aumento do custo de vida e da instabilidade econômica, o acúmulo de empregos deixou de ser exceção e se tornou uma estratégia consolidada entre os brasileiros. Um levantamento realizado pela plataforma Hostinger revelou que 60% da população mantém duas ou mais ocupações, seja por necessidade, seja por objetivos de vida.

Segurança financeira é a principal motivação

Segundo a pesquisa, 31% dos entrevistados afirmaram que buscam uma segunda fonte de renda para garantir estabilidade em tempos incertos. Outros 26% visam ampliar a renda mensal, enquanto 25% afirmaram que utilizam o segundo emprego como caminho para realizar sonhos, como empreender ou investir em educação. Um grupo menor, de 6%, recorre ao trabalho extra como alternativa para quitar dívidas.

O tempo dedicado às atividades secundárias varia conforme a motivação. Aqueles que buscam segurança financeira são os que mais se envolvem: mais de 15 horas por semana, além da jornada tradicional. Já quem persegue realizações pessoais costuma dedicar entre 3 e 5 horas semanais.

Novo perfil profissional: flexível, digital e informal

Para Andre Purri, CEO da Alymente, o movimento vai além da pressão econômica e aponta para uma transformação cultural. “O modelo tradicional de carreira, centrado em um único vínculo empregatício, vem cedendo espaço para arranjos mais flexíveis — muitas vezes sustentados pela informalidade, pelo trabalho remoto ou por plataformas digitais”, explica.

Essa nova mentalidade é marcada pela busca por autonomia, controle financeiro e liberdade para explorar diferentes habilidades. Muitos brasileiros têm conciliado empregos formais com atividades paralelas em áreas como vendas online, consultoria, produção de conteúdo, entregas, entre outras.

Desafios à saúde mental e à qualidade de vida

Apesar dos benefícios financeiros e até emocionais, o acúmulo de funções levanta alertas importantes. O risco de esgotamento, perda de produtividade, prejuízo às relações sociais e à saúde mental é real. O equilíbrio entre geração de renda e bem-estar será um dos grandes desafios da próxima década.

“O desafio para os próximos anos será encontrar o equilíbrio entre autonomia financeira e qualidade de vida — um dilema cada vez mais presente na rotina dos brasileiros”, conclui Andre Purri.

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