Taxa de juros elevada compromete competitividade e dificulta acesso a financiamento, avalia entidade que representa micro e pequenas indústrias

A proximidade da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que deve manter a Selic no patamar de 15% ao ano, acende alerta para as micro e pequenas indústrias brasileiras. Segundo o Simpi Nacional (Sindicato da Micro e Pequena Indústria), o cenário de juros altos por tempo prolongado inibe investimentos, limita a inovação e coloca em risco a sobrevivência de milhares de negócios.

Crédito inacessível
Joseph Couri, presidente do Simpi Nacional, avalia que o peso da taxa é insustentável para empresas de menor porte. Mesmo com linhas oferecidas por bancos públicos, os custos finais tornam o crédito inviável. “Qualquer centavo é muito dinheiro para quem precisa manter sua empresa funcionando. O acesso existe, mas os juros inviabilizam a tomada de crédito, sobretudo para os pequenos empreendedores”, afirma.

Segundo Couri, a dificuldade em financiar capital de giro e aquisição de equipamentos reduz a capacidade de geração de empregos e inovação, ampliando a desigualdade em relação às grandes corporações.

Alternativas em consórcios
Com o crédito caro, alguns empresários têm recorrido a mecanismos como consórcios. O Simpi, por exemplo, mantém parceria com a Unifisa para oferecer taxas de administração reduzidas aos associados, possibilitando a compra de máquinas e serviços a custos mais baixos do que os empréstimos tradicionais.

Mesmo assim, o dirigente reforça que soluções paralelas não substituem uma política monetária equilibrada. “O Brasil precisa de crédito mais acessível para estimular inovação e produtividade. Manter a Selic nesse patamar por um período prolongado sufoca o pequeno empresário, trava o crescimento e gera efeitos colaterais que vão além do setor produtivo, atingindo o emprego e a própria arrecadação do Estado”, conclui Couri.

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