Estudo mostra que grandes companhias assumem papel de indutoras da cadeia de valor, enquanto micro e pequenas enfrentam desafios para adotar práticas ambientais, sociais e de governança

A Pesquisa Firjan ESG 2025 indica que a adoção de práticas ambientais, sociais e de governança corporativa já faz parte da rotina da maioria das empresas do Rio de Janeiro, mas não se limita mais ao ambiente interno. O estudo, que ouviu 130 empresas, mostra que 72% delas já exigem ações sustentáveis também de seus fornecedores, reforçando a importância da cadeia de valor na agenda ESG.

Segundo a Firjan, essa edição evidencia avanço em relação ao levantamento de 2023, especialmente no papel das grandes companhias como promotoras do desenvolvimento de seus fornecedores. A coleta de dados ocorreu entre maio e julho deste ano e compõe a terceira edição da pesquisa, realizada a cada dois anos.

Desafios e oportunidades
Entre as respondentes, 46% apontaram dificuldades em encontrar fornecedores que atendam aos critérios ESG. Ainda assim, há esforços das grandes empresas para estimular práticas sustentáveis ao longo da cadeia produtiva. Para a vice-presidente do Conselho Empresarial ESG da Firjan, Claudia Guimarães, o estudo contribui para dar visibilidade às boas práticas já consolidadas. “A pesquisa gera um diagnóstico estratégico, colaborando para definição de metas realistas e tomada de decisão. Ter atitudes equilibradas em prol do social, ambiental e de governança é um diferencial que promove o avanço sustentável dos negócios”, avaliou.

Adesão crescente
O levantamento aponta que 96,1% das empresas já adotam práticas ESG internamente. O eixo ambiental segue como mais presente na gestão de fornecedores, mas a governança corporativa ganhou destaque: cinco dos dez critérios mais aplicados estão nesse eixo, incluindo código de ética, proteção de dados, integridade, anticorrupção e políticas contra assédio.

No caso das multinacionais e de empresas de grande porte, 38,4% assumiram compromissos voluntários de descarbonização. Já entre micro e pequenas empresas, que representam 90% da estrutura empresarial fluminense, os principais entraves são recursos limitados e falta de conhecimento técnico, embora o estudo ressalte que a adoção da agenda pode fortalecer a reputação no mercado.

Governança em evidência
De acordo com o gerente de Sustentabilidade da Firjan, Jorge Peron Mendes, houve amadurecimento na utilização do ESG como ferramenta de gestão. O percentual de empresas que usam critérios e métricas ESG em governança passou de 85% em 2023 para 96% em 2025. “Existe um entendimento de que ESG não é moda, mas uma ferramenta real de gestão de risco corporativo, aplicável tanto na operação da empresa quanto em sua cadeia de valor”, afirmou.

Entre os dez critérios mais citados, além dos ligados à governança, aparecem gestão de resíduos, gestão de água e efluentes, saúde e segurança ocupacional, combate ao trabalho infantil e implementação de canais internos de denúncia.

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