Com a agropecuária em alta, gestão estratégica e governança tornam-se diferenciais para negócios rurais que buscam crescimento e capitalização

O agronegócio brasileiro vive uma fase de expansão e amadurecimento. Segundo dados do IBGE, o setor da agropecuária cresceu 10,1% no segundo trimestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior, reforçando sua importância na economia nacional. Mas, por trás dos bons resultados, há um movimento mais profundo em curso: a profissionalização da gestão no campo.

Empresas familiares e propriedades rurais tradicionais estão passando por um processo de transformação para se tornarem mais atrativas a investidores, que exigem transparência, governança e retorno financeiro previsível. Essa mudança tem levado à valorização dos chamados turnarounds rurais — reestruturações operacionais que combinam eficiência administrativa, controle de custos e visão estratégica.

De acordo com José Loschi, fundador da SRX Holdings, a gestão é o ponto de virada para liberar o potencial econômico do setor. “Se você implanta métricas orçamentárias, visão de longo prazo, ajuste no custo de capital e na matéria-prima, é possível tornar a operação mais robusta e vendável. A clareza na gestão muda o jogo”, afirma.

Nos últimos anos, fundos de investimento e grandes grupos do agronegócio têm aumentado sua presença no mercado, adquirindo participações em empresas rurais e introduzindo práticas antes pouco comuns, como análise de desempenho por área produtiva, digitalização de processos e mecanismos de controle financeiro. O resultado é um ambiente mais competitivo e pautado por dados.

O chamado “agro turnaround” envolve não apenas ajustes contábeis, mas uma revisão completa da estratégia: da renegociação de dívidas à reavaliação do mix de culturas, passando pela modernização logística e pelo uso de ferramentas digitais para monitorar custos e produtividade.

Mesmo com desafios culturais e escassez de profissionais especializados, o movimento é impulsionado por uma necessidade clara — elevar a rentabilidade em um setor que, segundo o Cepea/CNA, pode representar 29,4% do PIB brasileiro em 2025.

“Hoje o agro precisa de perfis que unam paixão pelo campo e domínio de gestão. Quem entende de números, riscos e planejamento estratégico consegue transformar o negócio rural em um ativo sólido e competitivo”, completa Loschi.

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