Escassez de mão de obra, avanço tecnológico e novas exigências do mercado impulsionam a transformação dos métodos construtivos no Brasil

O setor da construção civil passa por um processo de transformação estrutural que deve se intensificar ao longo de 2026, impulsionado pela escassez de mão de obra qualificada, pela incorporação de tecnologias e por mudanças no perfil do consumidor. Modelos construtivos mais industrializados e previsíveis vêm ganhando espaço em substituição a métodos tradicionais, caracterizados por maior dependência de trabalho manual, desperdício de materiais e baixa previsibilidade de custos e prazos.

A avaliação é de um levantamento realizado pela Espaço Smart, empresa que atua no segmento de construção industrializada, e reflete um movimento observado em diferentes regiões do país. Segundo o estudo, cinco tendências devem marcar o setor nos próximos anos: industrialização dos processos, avanço da construção a seco, uso intensivo de tecnologia, sustentabilidade como requisito básico e obras mais rápidas e organizadas.

A industrialização da construção aparece como o eixo central dessa mudança. O conceito envolve a padronização de sistemas, maior controle de qualidade, produção fora do canteiro e uso de tecnologia desde a concepção dos projetos. Esse modelo permite maior previsibilidade financeira e operacional, além de redução de riscos associados a atrasos e retrabalhos.

Segundo Rubens Campos, CEO da Espaço Smart, a industrialização tem papel determinante nesse novo cenário. “A industrialização viabiliza ganhos em previsibilidade, controle, qualidade e escala, fatores cada vez mais relevantes para a viabilidade dos empreendimentos”, afirma.

Outro movimento observado é o crescimento da construção a seco, com sistemas como Steel Frame e Wood Frame, que vêm deixando de ser alternativas pontuais para ganhar espaço em projetos residenciais, comerciais e industriais. Esses métodos se destacam pela redução de resíduos, menor tempo de execução e maior controle orçamentário, características alinhadas às novas exigências do mercado.

Para Campos, essa mudança está diretamente ligada ao comportamento do consumidor. “O mercado passou a exigir mais previsibilidade, menos improviso e maior controle dos processos. Isso leva a uma lógica mais próxima da indústria do que da construção artesanal”, avalia.

A tecnologia também assume papel central nesse processo. Ferramentas como o BIM (Building Information Modeling) avançam como padrão para integração de projetos, planejamento e gestão de obras. Além disso, soluções de automação, análise de dados e uso de inteligência artificial aplicada a orçamento e cronogramas passam a apoiar decisões mais estratégicas, com impacto direto na produtividade e na redução de erros.

A sustentabilidade, por sua vez, deixa de ser tratada como diferencial competitivo e passa a integrar critérios básicos de avaliação de projetos. Práticas como redução de resíduos, eficiência no uso de recursos naturais e adoção de materiais de menor impacto ambiental tendem a se tornar padrão, influenciando decisões de investidores, incorporadores e operadores imobiliários.

Nesse contexto, o planejamento desde a fase inicial do projeto ganha relevância. “Pensar a obra de forma integrada permite ganhos ambientais, econômicos e operacionais ao longo de todo o ciclo do empreendimento”, observa Campos.

A convergência dessas tendências aponta para um novo padrão no setor construtivo, com obras mais organizadas, previsíveis e alinhadas às demandas de um mercado mais atento à eficiência, à sustentabilidade e à qualidade técnica. “O consumidor quer menos improviso e mais segurança. Não se trata apenas de construir mais rápido, mas de construir melhor”, conclui o executivo.

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