O palhaço ri daqui o povo chora dali e o show não para…

E apesar dos pesares do mundo vou segurar essa barra!!!

(Rita Lee – Jardins da Babilônia)

Somos pobres e somos a classe média brasileira.

A classe média que nunca foi média, mas assim sempre se identificou por olhar a realidade com os olhos de esperança.

A esperança acabou faz tempo, roubada pelos anões do orçamento, pela lava-jato, pela poupança Bamerindus, que nunca poupou o banco…

A porta da esperança morreu com Silvio Santos e seu Banco Panamericano, Cid Ferreira e seu Banco Santos, Caciolla e seu Banco Marka, Vorcaro e seu Banco Master – variações do mesmo tema.

Sinfonias distorcidas na matrix do topo da pirâmide – 1% concentrando 80% de todo poder, informação e dinheiro – donos de toda imprensa, política, mercado, terras, igrejas – sequestram a sua saúde, sua educação, sua casa, seu emprego e sua alma.

O topo, onde se confundem o Rei, o Bedel e o Juiz, onde o corruptor parece com o corrupto, e um deles ainda será o magistrado das causas sem causa, sem final e sem sentido, premiadas prisões inexistentes para quem nasceu e viveu de privilégios.

Essa classe média vagando cega pelo continente, vai levando na cachaça, na maconha dos nossos sonhos enfumaçados, no pornô digital, no piseiro ou sofrência do Rivotril ou Lexotan, acreditando ainda que tem projetos, admirando a fama e glamour dos poderosos, na ilusão que faz parte desse mundo que diariamente lhes é negado,

Os sonhos e projetos foram corroídos nos carnês das Casas Bahia, nas ações das Lojas Americanas, tão falida como Uncle Sam dos presidentes belicamente loucos.

A classe média que ainda crê na vontade de Deus, e reza, e vai na gira, toma chás delirantes, buscando sua yoga e sua droga equilibrada, abrindo cenários mágicos como cartomantes a ditar um futuro inexorável.

Aos mais lúcidos resta a filosofia, a cultura, um bocado de estoicismo para aos poucos desvelar o mistério de nossa grande angústia existencial – o que estamos a fazer aqui? (gratidão Schopenhauer)…

Deus nos esqueceu? Nunca ligou? Ele existe? Vivemos equilibrados em nossas crenças bambas, frágeis moralidades, como se ali fôssemos encontrar nossa suposta dignidade, como gritam os nossos “papagaios” nos agiotas e nosso nome aprisionado no SERASA.

Somos os feios, estamos sujos e de verdade, sempre fomos malvados, nos afastando de nosso humanismo por uma capitalista mentira que nos contaram.

Tanta luz por dentro! E nós, nas trevas de nossa orgulhosa ignorância, repetindo bordões daqueles que enriquecemos com nosso suor e adoração.

Cada vez mais longe da casa própria, do carro zero, da vida que vai melhorar, cada vez mais sem carinho e sem coberta, reclamando baixinho no tapete atrás da porta, das porradas que a vida nunca deixou de nos prover.

Somos os filhos deste solo, de mãe nada gentil, para quem fingimos que está tudo bem com sorrisos forçados pelo medo, cativos dos sem caráter e dos previsíveis incompetentes.

Somos sim, a classe média brasileira, e… continuamos pobres.

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