Olá, leitor(a)! Vamos falar um pouco sobre comércio externo?
Município sede e atendido pelo JVN, o município de Atibaia tem se notabilizado como a principal economia da Região Bragantina. De fato, o município se destaca fortemente nas atividades industrial e de logística, sendo responsável por cerca de 48% das exportações regionais.
Já Extrema (MG – na divisa imediata), município também atendido pelo JVN, embora na pertença ao Estado de São Paulo, constitui polo logístico e industrial massivo e é o destaque no volume e ritmo de exportações e importações no eixo da Rodovia Fernão Dias. Suas atividades econômicas possuem elevada concentração de empresas das áreas de tecnologia, e-commerce e bens de consumo.
Em termos mais gerais, o setor externo tem possui peso significativo na economia paulista. O estado é o maior polo exportador do Brasil, sendo responsável por cerca algo em torno de 15% a 22% do volume total exportado pelo país. O destaque é a indústria de transformação (setor econômico responsável por converter matérias-primas ou componentes em produtos finais ou itens intermediários – aqueles que serão empregados na produção de outros bens) que concentra mais de 80% das vendas e o agronegócio. Quanto mais vigoroso o fluxo de comércio, mais dinâmica é a economia do estado e aquelas atendidas pelo JVN.
O que chamou a atenção foi o déficit nas Transações Correntes (também chamada de Conta Corrente), que é uma das principais divisões do Balanço de Pagamentos (BP). Esse contabiliza todas as operações realizadas no Brasil com o setor externo.
Como parte do BP, a Conta Corrente registra todas as operações realizadas, como trocas comerciais de bens e serviços, remessas de lucros, juros e doações entre residentes e não residentes (estrangeiros) país.
O saldo desse indicador mostra se um país está gastando mais do que ganha internacionalmente ou vice-versa. Trata-se de um importante indicador de atividade econômica, sendo composto por quatro grandes contas.
- Balança Comercial: que mede a diferença do valor de tudo o que o país exporta e tudo o que importa de bens do exterior (como commodities agrícolas, minérios, veículos e e eletrônicos). Há anos essatem sido o principal motor que mantem o saldo das contas externas positivas.
- Balança de Serviços: conta que registra a compra e venda de serviços intangíveis entre países os países (fretes marítimos, seguros, viagens internacionais, royalties, licenças de uso e oferta de serviços de streaming).
- Renda Primária: Essa contabiliza a remuneração de fatores de produção (pagamento ou recebimento de juros, lucros e dividendos de investimentos, além de salários recebidos pelos residentes que estão trabalhando no exterior.
- Renda Secundária: também denominada de transferências unilaterais, contabiliza valores enviados ou recebidos do exterior sem que haja como contrapartida a venda de bem ou serviço (p. ex., doações internacionais e remessas realizadas por imigrantes para suas famílias no país de origem).
O destaque é que o saldo das Transações Correntes ficou em US$ 3,185 bilhões no último mês apurado pelo Banco Central No acumulado dos últimos 12 meses, o rombo soma US$ 64,1 bilhões. Já a Balança Comercial manteve-se superavitária (registrando saldo positivo de US$ 7 bilhões no mês). No entanto, grande parte desse ganho é eliminado pelos gastos com fretes. Já o déficit em serviços é o que normalmente apresenta é o principal responsável pelo rombo externo atual nas contas externas.
A rigor, o setor de serviços, acumulou despesas elevadas (gastos com licenciamento de tecnologias, concessão de direitos de propriedade intelectual e viagens internacionais. Finalmente a renda primária também foi deficitária, pressionada pela remessa de lucros e dividendos para o exterior por empresas multinacionais instaladas no país.
Embora o Brasil gaste mais do que recebe do exterior, tal saldo negativo é sustentado e coberto pela entrada robusta de Investimentos Diretos no País (IDP) (investimentos de empresas estrangeiras em atividades produtivas).
No contexto de baixas taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) é preciso que os governos promovam o comércio interno, externo e a atração de IDP. Com isso, todas as regiões se beneficiam.

Marcello Muniz é economista e mestre em Engenharia pela USP. Com 20 anos de experiência profissional, é perito judicial, atua como Analista de Negócios junto à Data Science Business Management (DBSM) e é professor de Economia junto à Unifaccamp (de Campo Limpo Paulista) e Faculdade Impacta de Tecnologia (FIT).
Atuou como pesquisador da Divisão de Economia e Engenharia de Sistemas do IPT (DEES), consultor do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Analista de Projetos da Fiesp.
Apaixonado por temas relacionados a políticas públicas e economia, autor do livro Matemática para Economia (Ser Educacional), participou na qualidade de coautor de 13 livros, entre esses: Política Industrial (Jornal Valor Econômico), Outward FDI from Brazil and its policy context (Vale Columbia Center on Sustainable International Investment), Gestão da Inovação no Setor de Telecomunicações (Fapesp) e Ressurgimento da indústria naval no Brasil (projeto-Ipea-BID).
