Há algo que aprendi ao longo da minha trajetória como empresário: nenhum comerciante acorda pensando em fechar as portas. Todos acordam desejando abrir cedo, atender bem seus clientes, vender, gerar empregos e voltar para casa com a sensação de que valeu a pena.

Quem empreende no Brasil não escolhe o caminho mais fácil. Escolhe acreditar. Acreditar que, apesar das dificuldades, é possível construir uma empresa, sustentar famílias, movimentar a economia e transformar a realidade da cidade onde vive.

Infelizmente, a realidade impõe desafios diários.

Vivemos em um cenário de constantes incertezas econômicas. A inflação pressiona os custos, os juros dificultam investimentos, a carga tributária continua elevada e as mudanças nas regras acontecem muitas vezes sem planejamento ou diálogo com quem está na ponta. O comerciante precisa tomar decisões todos os dias sem saber exatamente o que encontrará amanhã.

Mesmo assim, ele abre as portas.

Enquanto muitos enxergam apenas uma loja, um restaurante, uma oficina ou uma prestadora de serviços, eu vejo histórias de coragem. Vejo famílias inteiras dedicando suas vidas a um negócio. Vejo pessoas que trabalham de segunda a segunda para manter empregos e honrar seus compromissos.

O comércio é muito mais do que vendas. É desenvolvimento econômico, arrecadação de impostos, geração de renda, segurança social e qualidade de vida para a população. Uma cidade com comércio forte é uma cidade viva.

Por isso, acredito que os governos locais precisam compreender melhor o papel estratégico do empreendedor. Não basta reconhecer sua importância em discursos. É preciso criar um ambiente favorável para quem investe, produz e gera oportunidades.

Incentivar o comércio significa reduzir burocracias, agilizar processos, investir em infraestrutura, fortalecer a segurança pública, promover eventos que movimentem a economia, oferecer qualificação profissional e manter um diálogo permanente com as entidades representativas do setor.

O empresário não quer depender do poder público. Quer apenas que o poder público não seja um obstáculo para quem deseja produzir.

Também é preciso valorizar o comércio local. Cada compra realizada em uma empresa da cidade representa empregos preservados, recursos circulando na economia local e novas oportunidades para todos. Quando fortalecemos nossos comerciantes, fortalecemos toda a comunidade.

Apesar de todas as dificuldades, continuo acreditando na força do empreendedor brasileiro. Somos resilientes por necessidade, criativos por vocação e persistentes porque desistir nunca foi uma opção.

Como representante do setor empresarial, seguirei defendendo aqueles que diariamente levantam suas portas, enfrentam desafios e continuam acreditando em dias melhores.

Meu compromisso é continuar lutando por políticas públicas mais eficientes, por um ambiente de negócios mais justo e por uma cidade que reconheça o valor de quem empreende.

Porque, no fim das contas, o comerciante não pede privilégios.

Ele pede respeito.

Pede segurança jurídica.

Pede condições para competir.

Pede menos burocracia.

E, acima de tudo, pede apenas aquilo que sempre quis: a liberdade e a oportunidade de trabalhar.

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