Em um mercado que movimentou R$ 179,41 bilhões em créditos cedidos no primeiro quadrimestre, empresas e produtores passam a buscar estruturas mais planejadas para financiar expansão, obras e capital produtivo
O consórcio deixou de ser apenas uma modalidade associada à compra planejada de veículos e imóveis e passou a ocupar espaço maior no debate sobre acesso a crédito no Brasil. O Sistema de Consórcios movimentou R$ 500,27 bilhões em créditos comercializados em 2025, alta de 32,1% sobre 2024, com 5,16 milhões de cotas vendidas, avanço de 15% no ano.
O ritmo continuou em 2026: entre janeiro e abril, foram 1,87 milhão de adesões, crescimento de 16,1%, e R$ 179,41 bilhões em créditos cedidos, alta de 27,1%. A base de participantes ativos chegou a 12,94 milhões em abril, novo recorde do setor. No segmento imobiliário, um dos mais relevantes para obras, construção e aquisição patrimonial, as vendas de cotas somaram 557,49 mil no primeiro quadrimestre, avanço de 48,4%, com 3 milhões de participantes ativos.
O movimento acontece em um cenário no qual o crédito bancário segue mais caro e seletivo, e no qual famílias, empresas, produtores rurais e incorporadoras precisam buscar alternativas para financiar projetos sem comprometer a liquidez.
Crédito estruturado ganha espaço
É nesse ambiente que a Friggi & Secco, corretora de crédito, passou a ganhar relevância como um recorte do avanço do crédito estruturado via consórcio. A empresa afirma já ter cedido e viabilizado mais de R$14 bilhões em crédito no Brasil ao longo de sua trajetória. Em 2026, o volume acelerou: as operações saltaram de cerca de R$500 milhões, no mesmo período do ano anterior, para R$ 2,5 bilhões, puxadas principalmente por consórcios estruturados, crédito rural, construção civil, home equity e operações com garantia real.
Apenas entre janeiro e maio, o volume consolidado em consórcios chegou a R$2,123 bilhões, acima de todo o ano-base de 2025, quando somou R$1,222 bilhão.
“O crescimento mostra que o cliente não está buscando crédito apenas para cobrir uma necessidade imediata. Ele quer entender como acessar capital sem travar o caixa, sem assumir uma estrutura incompatível com o prazo do projeto e sem depender exclusivamente do modelo bancário tradicional“, afirma Alberto Friggi, CEO da corretora.
A diferença, segundo a empresa, está na forma como o crédito é estruturado. Em vez de vender uma cota de consórcio de maneira isolada, a corretora afirma analisar a finalidade do recurso, o fluxo financeiro do cliente, a garantia disponível, o prazo de retorno e a execução do projeto. Essa lógica tem ganhado força sobretudo em dois mercados de capital intensivo: o agronegócio e a construção civil.
Agro e construção puxam o avanço

No agro, a vertical rural da Friggi & Secco saltou de R$289,5 milhões em 2025 para R$1,448 bilhão apenas entre janeiro e maio de 2026 — um crescimento de cerca de cinco vezes. Na construção, a companhia atua em operações nas quais o recurso é organizado conforme a evolução da obra, reduzindo o risco de o cliente iniciar um projeto e ficar sem caixa no meio do caminho.
“O problema de muitas operações não é a falta de crédito, mas a falta de desenho financeiro. Uma fazenda, uma obra ou uma expansão empresarial têm ciclos diferentes de retorno. Se o dinheiro entra no prazo errado, com custo errado ou sem acompanhamento, o crédito pode virar pressão, e não solução“, diz Friggi.
Para o mercado, o avanço desse tipo de estrutura revela uma mudança importante: o consórcio começa a ser usado não apenas como instrumento de compra futura, mas como ferramenta de planejamento financeiro para projetos maiores, especialmente quando há garantia real, necessidade de prazo e cuidado com liquidez.
A Friggi & Secco projeta superar R$ 6 bilhões em operações em 2026, caso o ritmo atual seja mantido. A tendência acompanha uma demanda mais ampla por crédito com acompanhamento consultivo, especialmente em setores nos quais uma decisão mal planejada pode comprometer anos de geração de caixa.
“O atendimento sob medida passa a ser decisivo porque duas operações de mesmo valor podem ter riscos completamente diferentes. O papel de quem estrutura crédito é entender onde o recurso será aplicado, como ele será pago e qual desenho protege melhor o cliente durante a execução do projeto“, conclui Friggi.
