Com crescimento de 547% no número de trabalhadores formais e 57,2 mil novos CNPJs abertos no setor em 2025, mercado de assistência especializada busca superar a escassez de mão de obra qualificada
O envelhecimento populacional no Brasil — que já soma 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais (15,8% da população), segundo o IBGE — deixou de ser apenas um debate de saúde pública e consolidou-se como força motriz da chamada economia prateada. Entre 2012 e 2022, o volume de cuidadores formais no país saltou 547%, somando mais de 34 mil trabalhadores registrados no Caged.
A expansão do segmento também é visível no ecossistema de negócios: dados do Sebrae indicam um crescimento de 74% na abertura de pequenas empresas de cuidados desde 2020, além do registro de 57,2 mil novos CNPJs na área apenas em 2025. No entanto, a informalidade e a escassez de mão de obra capacitada seguem como os principais gargalos da atividade.
Formação técnica e inteligência emocional
Para Etevaldo Miranda Jr., CEO da Cuidare, o aumento da demanda exige que o setor supere a atuação amadora, na qual muitos profissionais assumem o cuidado sem o devido treinamento técnico ou preparo psicológico.
“A economia prateada tornou-se uma necessidade em milhares de lares. A combinação entre preparo técnico, inteligência emocional e humanização será o grande diferencial para garantir um atendimento seguro e eficiente, alinhado às novas exigências do mercado”, analisa Miranda.
Com a consolidação e maturidade do mercado, as empresas do setor passam a priorizar:
- Treinamentos especializados: Foco em síndromes geriátricas, doenças neurodegenerativas, mobilização segura e suporte a pessoas com deficiência ou transtornos do desenvolvimento.
- Processos seletivos rigorosos: Avaliação multidisciplinar que contemple habilidades práticas, histórico profissional e equilíbrio emocional do candidato.
- Gestão e tecnologia: Adoção de ferramentas digitais de acompanhamento, indicadores de qualidade, educação continuada e métricas de satisfação das famílias assistidas.
