Com mais de 750 mil profissionais credenciados no Brasil, setor aposta na automação de etapas burocráticas para priorizar o atendimento humano e a negociação
O avanço da inteligência artificial (IA) começou a redefinir a base de formação do mercado imobiliário no Brasil. Com um contingente que já ultrapassa 750 mil profissionais credenciados no país, segundo dados do Sistema Cofeci-Creci (Conselho Federal de Corretores de Imóveis), a categoria passa a integrar ferramentas tecnológicas desde o processo de capacitação técnica, com o objetivo de reduzir a carga operacional e focar na atuação estratégica de vendas.
A transição reflete uma mudança na rotina das transações imobiliárias, onde tarefas administrativas pesadas costumam tomar tempo precioso de negociação e relacionamento com os clientes.
Automação de processos operacionais
Para estruturar essa formação, o Instituto Brasileiro de Educação Profissional (IBREP), instituição de ensino técnico com 40 polos pelo país, desenvolveu o ImobAI, um assistente virtual focado na rotina imobiliária que passou a integrar a grade de treinamento do curso Técnico em Transações Imobiliárias (TTI).
Na prática, a ferramenta é programada para absorver etapas do fluxo diário do corretor, tais como:
- Redação de anúncios: Elaboração ágil de descritivos de propriedades ajustados a diferentes perfis de imóveis.
- Análise documental e contratual: Varredura preliminar de minutas, contratos e organização de checklists de documentação.
- Cálculos e simulações: Realização de estimativas de financiamento bancário e condições de pagamento.
- Atendimento inicial: Formulação de respostas e argumentos para objeções frequentes de potenciais compradores.
O fator humano no centro do negócio
Apesar do ganho de produtividade proporcionado pelos algoritmos, especialistas do setor destacam que a tecnologia atua como suporte, e não como substituta do profissional.
Para Diogo Martins, CEO do IBREP, a inteligência artificial precisa ser encarada como uma ferramenta de eficiência que libera o corretor para desempenhar funções estritamente humanas, como a empatia, a negociação e a análise crítica de contexto.
“A tecnologia pode redigir um anúncio em segundos ou cruzar dados de um contrato, mas a avaliação de que aquela comunicação faz sentido para o perfil do cliente exige o olhar humano. Não se trata de formar um profissional dependente da ferramenta, mas eficiente no uso dela”, pontua Martins.
