Em 4 de outubro, o Brasil vai às urnas. E como acontece a cada dois anos, a maioria dos debates gira em torno de saúde, segurança, infraestrutura e emprego. São temas urgentes, sem dúvida. Mas existe uma pauta que raramente entra nessa conversa com o peso que merece: o esporte.

Não estou falando de futebol profissional, de seleções nacionais ou de atletas olímpicos. Estou falando de política esportiva municipal. De escolinhas que funcionam ou não funcionam. De quadras que existem no papel mas estão fechadas na prática. De programas que começam numa gestão e acabam na próxima porque ninguém entendeu que aquilo era investimento, não gasto.

Eu tenho acompanhado esse cenário de perto em Atibaia. Ao longo deste ano, conversando com gestores, líderes de associações esportivas e organizadores de eventos da cidade, fui construindo uma visão muito concreta do que separa uma cidade que trata o esporte com seriedade de uma que ainda o vê como atividade de preenchimento de agenda. A diferença não é de tamanho, não é de orçamento bruto, é de intenção. É de entender que quando você investe num menino de 10 anos numa escolinha de vôlei, você não está apenas ensinando fundamentos. Você está tirando esse menino de um risco, construindo disciplina, criando um vínculo com a cidade e, quem sabe, formando um atleta que um dia vai representar Atibaia nos Jogos Regionais ou nos Abertos do Interior.

Atibaia deu passos importantes nessa direção. Em 2025, a Prefeitura investiu cerca de R$ 7,5 milhões na área esportiva, o maior investimento da história do município nesse setor. Foram mais de 40 modalidades nas escolinhas espalhadas pela cidade, programas estruturados de iniciação, alto rendimento e qualidade de vida para adultos. Isso não acontece por acidente. Acontece quando existe vontade política para isso.

Mas nem toda cidade tem essa visão. E é exatamente por isso que o período eleitoral importa.

Quando um candidato a governador ou a deputado estadual fala em investir no esporte, vale perguntar o que isso significa na prática. O Estado de São Paulo destinou mais de R$ 240 milhões em incentivos fiscais para projetos esportivos nos últimos três anos pela Lei Paulista de Incentivo ao Esporte. Mais de 700 projetos, com impacto direto em mais de 400 mil pessoas em todo o estado. São recursos que existem, que estão disponíveis, mas que chegam com muito mais força nas cidades que têm estrutura local para captá-los. E estrutura local se constrói com política esportiva consistente.

É aí que o eleitor do interior precisa fazer as perguntas certas.

O que o candidato propõe para o esporte de base na sua cidade? Como ele pensa a relação entre os programas estaduais e os projetos municipais? Qual é a visão dele para o uso do esporte como ferramenta de desenvolvimento social e econômico? São questões que nenhum debate vai levantar, mas que definem o dia a dia de milhares de crianças, jovens e famílias.

Para os empresários da região, existe também uma perspectiva de negócio nesse olhar. Uma cidade com política esportiva forte atrai eventos, movimenta o comércio, retém talentos e cria uma identidade que valoriza o território. Tudo o que discutimos aqui nesta coluna ao longo do ano, o impacto dos eventos de trail run, o retorno do patrocínio regional, o papel das associações esportivas na comunidade, depende de haver uma base pública bem estruturada para florescer. O setor privado não consegue fazer sozinho o que uma boa política pública constrói.

Então, quando você for às urnas no mês que vem, leve essa pergunta junto. Não precisa ser a única, mas deveria estar na lista. O que esse candidato pensa sobre esporte? Não como discurso, como agenda real.

Cidades que investem em esporte não estão apenas formando atletas. Estão formando pessoas. E pessoas bem formadas constroem cidades melhores.

Até a próxima!

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