Uma reflexão de quem acredita no turismo como agente de transformação
De tempos em tempos, acredito que precisamos parar, observar o cenário e fazer algumas perguntas.
O que o turismo representa para o seu município? E para o seu Estado?
E quando falamos de uma Estância Turística ou de um MIT — Município de Interesse Turístico —, surge outra questão importante:
Como esse destino está se posicionando diante da concorrência?
Mais do que isso: considerando as ações, os investimentos e as políticas públicas que vêm sendo desenvolvidos para o setor, qual é a nossa percepção sobre o momento real que estamos vivendo?
Talvez, ao refletirmos sobre essas questões, descubramos que estamos pensando de forma muito parecida.
Alguns destinos, porém, vêm demonstrando que é possível avançar quando existe planejamento, estratégia, articulação e continuidade.
Um exemplo que merece nossa atenção é o Estado de São Paulo e, especialmente, a cidade de São Paulo.
Em 2020, o Estado lançou o Plano de Turismo 2020–2030, estabelecendo uma visão de longo prazo para o desenvolvimento do setor. Desde então, diversas iniciativas vêm sendo implementadas, com ampliação de rotas, participação em eventos, diálogo com municípios, entidades, profissionais e representantes da cadeia produtiva.
Mais do que ações isoladas, existe uma construção.
E é justamente isso que considero importante observar.
Turismo não se faz apenas com boas ideias. Faz-se com planejamento, governança, pessoas, investimento, acompanhamento e, principalmente, continuidade.
Os resultados divulgados nos últimos anos mostram a força que o turismo representa para a economia paulista e a posição de destaque que São Paulo vem conquistando no turismo de negócios e eventos.
“São Paulo entra no topo de ranking mundial do turismo corporativo e desbanca Londres, Paris e Madri.
Pesquisa aponta que a cidade fica atrás apenas de Nova York no ranking global e é o principal destino da América Latina para viagens de negócios” (Prefeitura de SP)
Isso nos traz uma reflexão fundamental:
Potencial turístico, sozinho, não transforma um território.
É preciso organizar esse potencial, qualificar produtos e serviços, promover o destino, entender o visitante, gerar inteligência e criar uma estratégia capaz de conectar poder público, iniciativa privada e comunidade.
É claro que nem todos os municípios avançam no mesmo ritmo.
Mas percebo um movimento importante do Estado de São Paulo ao chamar os municípios para o jogo.
E aceitar esse convite é uma decisão de cada território.
É preciso estar preparado para participar, alinhar estratégias, assumir responsabilidades e, principalmente, compreender que o turismo é uma atividade econômica que exige profissionalismo.
E o desafio não termina aí.
Vivemos um período de profundas transformações: novas tecnologias, Inteligência Artificial, mudanças no comportamento do consumidor, Reforma Tributária, novas regulamentações, transformação do mercado de trabalho e uma busca cada vez maior por experiências autênticas, bem-estar, sustentabilidade e propósito.
Diante disso, cabe também aos empresários desafiar o óbvio, inovar e criar novas conexões com seus clientes.
Pode parecer difícil.
Às vezes, quase impossível.
Mas a história do turismo mostra que aqueles que conseguem enxergar além do presente encontram novas oportunidades.
E existe algo que nenhuma tecnologia vai substituir:
o ser humano.
O turismo é feito por pessoas e para pessoas.
Por trás de toda inteligência artificial, plataforma, aplicativo ou ferramenta tecnológica, existe alguém procurando alguma coisa muito simples:
o descanso,
a cultura,
o aprendizado,
a história
a gastronomia,
a natureza,
a experiência.
É isso que torna o nosso segmento tão especial e maravilhoso.
O turismo tem o poder de conectar pessoas, movimentar economias, valorizar territórios e transformar comunidades.
Por isso, acredito que precisamos construir o presente pensando no futuro.
Precisamos deixar de olhar apenas para o que o destino tem e começar a pensar no que ele pode se tornar.
Que experiência queremos entregar?
Que imagem queremos construir?
Que turista queremos receber?
Que legado queremos deixar?
E, principalmente:
que papel cada um de nós está disposto a assumir nessa construção?
Acredito no turismo.
Acredito na força dos destinos.
Acredito na capacidade das pessoas de transformar realidades quando trabalham juntas.
E acredito que o futuro dos nossos territórios será construído pelas escolhas, pelas ações e pela capacidade de cooperação que tivermos hoje.
Vamos colocar o turismo em ação.
Não apenas como discurso, mas como estratégia.
Não apenas como oportunidade, mas como compromisso.
Não apenas pensando no próximo evento ou na próxima temporada, mas na construção de destinos mais competitivos, sustentáveis, preparados e capazes de oferecer ao visitante a qualidade que ele merece.
Vale a pena acreditar.
Vale a pena ser agente de transformação no território em que atuamos.
Turismo em Ação!

Pós-graduada em Habilidades Gerenciais, com formação em Marketing e pós-graduada em ESG (Environmental, Social and Governance) e Habilidades Gerenciais, possui vasta experiência na área de Turismo. Atualmente é gestora Executiva e Relacionamento do Atibaia e Região Convention e Visitors Bureau. Empresária e consultora, participante do Conselho de Turismo, Conselho Estatual do Monumento Natural da Pedra Grande e Conselho do Parque Grota Funda. Defensora do cooperativismo e associativismo, sempre conectada aos principais temas relacionados ao Turismo, onde atua há 23 anos.
