Leitor (a), domingo, dia 04/26, vamos votar.
Votar é, ou deveria ser, escolher uma proposta de desenvolvimento para o país. Votamos e esperamos resultados …
Resumindo argumentos de Paul Samuelson, laureado com o Prémio Nobel e que possui o livro mais vendido de economia no mundo: a escolha pública, por meio do voto, revela e agrega valores, preferências e decisões coletivas, sendo a base da decisão em países democráticos.
Em um ambiente tão polarizado politicamente no qual vivenciamos, prevalecem ainda mais os “valores” e certas “preferências” associadas às decisões coletivas. Seja qual for a “vontade popular”, manifestada por meio do voto, o novo governo lidará com grandes desafios. Os eleitores, como sempre, desejam e esperam melhores resultados. O que se sonhamos é que, seja quem assumir o poder, lide com energia com os seguintes desafios:
Instabilidades externas
O cenário é de desaceleração do crescimento econômico mundial, em função do aumento da incerteza gerada por conflitos geopolíticos (Rússia e Ucrania, na região do Oriente Médio e em outras regiões), além dos aumentos de pressões no setor de energia e de aumento de barreiras comerciais, tarifárias e não tarifárias.
Há ainda a grande dependência do Brasil em relação em recursos enérgicos, insumos básicos para a produção agrícola e de bens de consumo. Também a há uma pauta de exportações ser concentrada em commodities vinculadas ao agronegócio. Devemos reduzir gradualmente essa dependência.
Crise institucional
Infelizmente, estamos enfrentando momento de enorme polarização e desgaste entre os Poderes da República, sendo esse intensificado por disputas internas no ceio do Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, há clara polarização política, independente do período eleitoral.
Segundo o portal Congresso em Foco, projeções eleitorais estimam que a direita e o centro-direita podem alcançar cerca de 40 das 81 cadeiras do Senado Federal a partir de 2027, aproximando-se da maioria absoluta necessária (41 votos) para pautar temas de interesse nacionais. Seja quem assumir o poder, enfrentará grandes desafios no Congresso.
Endividamento público e privado
Hoje, a dívida pública brasileira ultrapassa 82% do Produto Interno Bruto (PIB). Coincidentemente, o endividamento das famílias é temerário pois, 82% em julho e agosto de 2026. Esse dado provém da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). Não só o governo, mas as empresas e as famílias “estão de joelhos” devido a falta de renda e endividamento.
Ao votarmos, supostamente, escolhemos um caminho a seguir. Votar é escolha individual, mas gera resultados coletivos.
Infelizmente, ao exercer “o direito ao voto” avaliamos pessoas e não um projeto para o real desenvolvimento do país.

Marcello Muniz é economista e mestre em Engenharia pela USP. Com 20 anos de experiência profissional, é perito judicial, atua como Analista de Negócios junto à Data Science Business Management (DBSM) e é professor de Economia junto à Unifaccamp (de Campo Limpo Paulista) e Faculdade Impacta de Tecnologia (FIT).
Atuou como pesquisador da Divisão de Economia e Engenharia de Sistemas do IPT (DEES), consultor do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Analista de Projetos da Fiesp.
Apaixonado por temas relacionados a políticas públicas e economia, autor do livro Matemática para Economia (Ser Educacional), participou na qualidade de coautor de 13 livros, entre esses: Política Industrial (Jornal Valor Econômico), Outward FDI from Brazil and its policy context (Vale Columbia Center on Sustainable International Investment), Gestão da Inovação no Setor de Telecomunicações (Fapesp) e Ressurgimento da indústria naval no Brasil (projeto-Ipea-BID).
