Mercado de AVAC-R deve movimentar até R$ 56 bilhões em 2026; emprego formal cresceu 14,1% no país, mas sofisticação tecnológica de equipamentos amplia gargalo na contratação de mão de obra técnica
O setor de Aquecimento, Ventilação, Ar-Condicionado e Refrigeração (AVAC-R) vive um período de forte expansão no Brasil, impulsionado pelo aumento da demanda residencial, comercial e industrial. Segundo dados da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA), o segmento movimentou cerca de R$ 50 bilhões no país em 2025 e projeta alcançar entre R$ 55 bilhões e R$ 56 bilhões ao longo de 2026. No entanto, o ritmo acelerado de crescimento expôs um desafio estrutural para as empresas: a escassez de mão de obra qualificada para acompanhar a evolução tecnológica do setor.
A expansão do mercado reflete-se diretamente na geração de postos de trabalho. Levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), baseado em dados formais da RAIS/MTE, indica que o emprego formal no setor avançou 14,1% no Brasil entre 2022 e 2025, saltando de 106,8 mil para 121,8 mil trabalhadores com carteira assinada.
Apesar da alta nas contratações, encontrar profissionais devidamente capacitados tornou-se um gargalo operacional crítico para a instalação, manutenção e projetos no setor de climatização.
Escassez de mão de obra e complexidade tecnológica
A disponibilidade de profissionais qualificados afeta principalmente funções técnicas especializadas, como mecânicos de refrigeração, técnicos de manutenção e projetistas de sistemas. Segundo Rodrigo Men, presidente do Departamento Nacional de Instalação e Manutenção (DNIM) da ABRAVA, o mercado enfrenta dificuldades tanto para ampliar o quadro funcional quanto para repor equipes experientes.
Outro fator que agrava a escassez é o ritmo de ingresso de novos talentos. Grande parte dos alunos que buscam instituições de formação técnica já atua no mercado e procura apenas aperfeiçoamento, o que atualiza a base existente, mas não supre a necessidade de novos trabalhadores.
Ao mesmo tempo, a evolução dos equipamentos elevou a exigência sobre a formação profissional. O setor passou a incorporar sensores de presença, placas eletrônicas avançadas, sistemas de automação e soluções complexas de renovação de ar.
Conforme destaca Jonatha Silva Henriques, técnico em Educação da Firjan SENAI na área de Refrigeração e Climatização, a qualificação técnica tornou-se indispensável para a segurança e eficiência das instalações:
“Hoje, a climatização e a refrigeração estão presentes em cada vez mais aplicações, o que amplia a demanda de contratações. Ao mesmo tempo, as máquinas estão mais tecnológicas, com sensores, placas, automação e sistemas de renovação de ar. Isso exige uma mão de obra cada vez mais preparada e atualizada para acompanhar a evolução dos equipamentos e das aplicações.”
Atualização e feiras do setor
A necessidade de qualificação contínua tem motivado encontros e fóruns técnicos em todo o país. Entre os eventos do calendário nacional do setor está a primeira edição da Febrava RIO, promovida de 6 a 8 de outubro no Riocentro, reunindo especialistas e apresentando inovações tecnológicas e programações de conteúdo voltadas ao desenvolvimento profissional no segmento AVAC-R.
