Estudo inédito da ABAG e Serasa Experian revela avanço na escolaridade, adoção de tecnologias e rigor socioambiental; produtoras rurais registram menores taxas de inadimplência no crédito

A presença feminina na condução do agronegócio brasileiro consolidou uma transformação estrutural na última década. As mulheres já representam 40% dos 10,7 milhões de produtores rurais decisores no país, combinando maior nível de escolaridade, gestão tecnológica e responsabilidade fiscal e socioambiental.

Os dados integram o estudo “Perfil da Mulher do Agronegócio Brasileiro: 10 anos de transformação e avanços”, lançado pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) em parceria com a Serasa Experian, Fran6 Pesquisa e Sistema FAESP/SENAR durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF).

O levantamento aponta que 91% das entrevistadas são proprietárias — totais ou parciais — dos empreendimentos rurais, um avanço de 10 pontos percentuais em dez anos. A elevação patrimonial veio acompanhada de qualificação acadêmica: o percentual de gestoras com pós-graduação saltou de 24% para 46% no período, enquanto 77% possuem diploma de ensino superior.

Para Gislaine Balbinot, diretora executiva da ABAG, o protagonismo feminino reflete a própria modernização do setor:

“Nos últimos dez anos, a mulher ampliou sua presença nas decisões estratégicas do agronegócio e conquistou maior espaço na propriedade e na condução dos negócios. Os dados mostram uma transformação que envolve formação, tecnologia, gestão e acesso ao crédito. Homens e mulheres não competem no campo; eles se complementam.”

Crédito, conformidade ambiental e inovação no campo

O cruzamento de dados nacionais realizado pela Serasa Experian revelou um comportamento de crédito altamente prudente e taxas de inadimplência inferiores às médias masculinas — com destaque para grandes proprietárias (6,85%) e produtoras da Região Sul (5,4%).

O levantamento também destacou o rigor das gestoras em compliance socioambiental no Cadastro Ambiental Rural (CAR):

  • Baixo Passivo Ambiental: Ocorrências de desmatamento (Prodes) e trabalho escravo estão concentradas majoritariamente em cadastros masculinos (67% e 77%, respectivamente), enquanto os registros em CPFs femininos somam 20% e 5%.
  • Autonomia Tecnológica: 71% das gestoras utilizam ferramentas como drones, telemetria e sistemas digitais de gestão de forma independente ou parcialmente independente na routine das fazendas.
  • Práticas Sustentáveis: Crescimento na adoção de bioinsumos, biodigestores, manejo hídrico, genômica e bem-estar animal.

Para Sabrina Muñoz, Gerente Executiva de GeoData e Analytics da Serasa Experian, a gestão feminina agrega confiabilidade ao mercado financeiro:

“A prudência financeira aliada a um rigor exemplar em práticas de compliance socioambiental e ESG coloca a gestão feminina em um patamar de altíssima confiabilidade para o mercado de crédito e para o desenvolvimento de um agronegócio sustentável.”

A pesquisa reforça que a liderança feminina no campo se consolida por meio do planejamento, do fortalecimento das redes de apoio e da capacitação técnica contínua proporcionada por entidades do setor.

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