Existe uma verdade que nós, empresários, conhecemos muito bem: o governo muda, mas a conta das decisões permanece na mesa de quem empreende.

Ao longo da minha trajetória empresarial e, especialmente, à frente da Associação Comercial e Industrial de Atibaia, tenho acompanhado de perto as dificuldades, as expectativas e também a capacidade de reação dos empresários da nossa região.

E uma coisa está cada vez mais clara para mim: não podemos tratar as mudanças de governo como algo distante do nosso negócio.

Elas chegam ao caixa.

Chegam ao preço do produto.

Chegam ao custo do funcionário.

Chegam ao financiamento.

Chegam ao consumidor.

E, finalmente, chegam ao faturamento da empresa.

Atibaia não está isolada do Brasil

Às vezes ouvimos que determinada decisão foi tomada em Brasília e pensamos que aquilo não tem relação direta com a nossa realidade.

Tem, sim.

Quando a política econômica interfere nos juros, o empresário de Atibaia sente.

Quando aumenta o custo tributário, sente.

Quando o crédito fica mais difícil, sente.

Quando o consumidor perde poder de compra, sente.

Quando uma indústria reduz investimentos, toda a cadeia de fornecedores sente.

E quando o comércio vende menos, o impacto não fica dentro da loja. Ele se espalha pela economia regional.

É o fornecedor que recebe menos pedidos.

É o prestador de serviço que perde contratos.

É o trabalhador que deixa de ter uma nova oportunidade.

É o restaurante que recebe menos clientes.

É a pequena empresa que adia um investimento.

A economia regional é uma engrenagem. Quando uma parte trava, todas as outras precisam trabalhar mais para compensar.

O empresário não pode ser tratado apenas como arrecadador

Essa é uma discussão que considero fundamental.

Empresário não é apenas alguém que paga imposto.

Empresário é quem investe capital, assume risco, contrata pessoas, paga salários, movimenta fornecedores e coloca produtos e serviços à disposição da sociedade.

Quando uma empresa fecha, não desaparece apenas um CNPJ.

Desaparecem empregos, renda, impostos, fornecedores e oportunidades.

Por isso, qualquer governo que queira realmente estimular o desenvolvimento precisa compreender uma coisa simples:

não existe desenvolvimento econômico sustentável sem um setor produtivo forte.

E setor produtivo forte precisa de condições para trabalhar.

Precisamos parar de administrar o problema depois que ele acontece

Essa talvez seja uma das minhas maiores preocupações.

Muitas vezes, o poder público reage quando o problema já chegou às ruas.

O empresário, porém, não pode trabalhar assim.

Ele precisa antecipar cenários.

Precisa saber quanto vai pagar.

Precisa calcular se vale a pena contratar.

Precisa decidir se compra uma máquina.

Precisa definir se amplia a loja.

Precisa saber se consegue financiar um investimento.

Precisa planejar.

Sem previsibilidade, o empresário segura o investimento.

E quando o empresário segura o investimento, a economia perde velocidade.

E Atibaia precisa fazer sua lição de casa

Não adianta olharmos apenas para Brasília.

Nós também temos responsabilidades locais.

Precisamos discutir infraestrutura, mobilidade, segurança, turismo, qualificação profissional, desenvolvimento industrial, desburocratização, ocupação dos espaços públicos e fortalecimento do comércio.

Precisamos perguntar:

Que cidade queremos entregar para as próximas gerações?

Uma cidade que apenas administra seus problemas ou uma cidade que cria condições para empresas investirem?

Uma cidade que olha o empresário como fonte de arrecadação ou como parceiro do desenvolvimento?

Uma cidade que reage às crises ou que se antecipa a elas?

Eu acredito na segunda opção.

O comércio de Atibaia precisa de movimento

Quem está no centro da cidade sabe exatamente do que estou falando.

Uma rua comercial precisa de pessoas.

Precisa de segurança.

Precisa de mobilidade.

Precisa de estacionamento organizado.

Precisa de eventos.

Precisa de turismo.

Precisa de boas experiências.

Precisa de políticas públicas que compreendam que comércio parado significa economia parada.

Não existe desenvolvimento regional sem cuidar do ambiente em que o comércio funciona.

E esse debate precisa ser permanente, não apenas durante períodos eleitorais.

A indústria também precisa de previsibilidade

A indústria pensa ainda mais longe.

Uma decisão de investimento pode significar milhões de reais e compromissos para muitos anos.

Por isso, segurança jurídica, infraestrutura, energia, logística, mão de obra qualificada, crédito e um sistema tributário compreensível são fatores fundamentais.

Atibaia tem potencial para ampliar sua participação regional, mas potencial sozinho não gera desenvolvimento.

Precisamos transformar potencial em investimento.

E investimento acontece quando o empresário encontra condições para acreditar no futuro.

Não importa apenas quem governa. Importa como governa.

Não acredito que o papel de uma entidade empresarial seja escolher o governo pelo empresário.

O empresário é adulto, conhece sua realidade e tem o direito de fazer suas próprias escolhas.

O papel de uma associação como a ACIA é outro.

É informar.

É representar.

É cobrar.

É dialogar.

É defender condições melhores para quem produz.

E isso precisa acontecer independentemente de quem esteja sentado na cadeira de prefeito, governador ou presidente.

Quando uma medida for boa para Atibaia, devemos reconhecer.

Quando uma medida prejudicar o setor produtivo, devemos questionar.

Quando houver um problema, devemos apresentar alternativas.

Não precisamos ser oposição ou situação. Precisamos ser defensores do desenvolvimento.

O empresário precisa ocupar seu espaço

Também faço uma provocação aos meus colegas empresários.

Não podemos reclamar das decisões depois que elas foram tomadas se não participamos das discussões antes.

Precisamos acompanhar.

Precisamos participar das entidades.

Precisamos conversar com o poder público.

Precisamos apresentar propostas.

Precisamos conhecer os números da nossa cidade.

Precisamos entender economia.

Precisamos preparar nossas empresas para a transformação tecnológica e para a inteligência artificial.

E precisamos parar de pensar apenas no nosso próprio negócio.

Porque uma empresa pode até crescer individualmente, mas uma região só prospera quando existe um ecossistema empresarial forte.

Minha visão para Atibaia

Como empresário e presidente da ACIA, tenho uma convicção:

Atibaia pode muito mais.

Temos localização privilegiada, empresários empreendedores, comércio diversificado, indústria, turismo, serviços, agricultura e uma população com enorme capacidade de trabalho.

Mas precisamos transformar essas vantagens em estratégia.

Precisamos unir empresários, entidades, trabalhadores e poder público em torno de uma agenda de desenvolvimento.

Não uma agenda de quatro anos.

Uma agenda de décadas.

Porque prefeito passa.

Governador passa.

Presidente passa.

Mas a cidade fica.

As empresas ficam.

As famílias ficam.

E somos nós que continuaremos aqui depois que as eleições terminarem.

Por isso, minha mensagem é direta:

Empresário, acompanhe o que acontece na política.

Não para transformar sua empresa em palanque.

Mas porque as decisões políticas podem mudar o ambiente em que sua empresa sobrevive, investe e cresce.

Não terceirize o futuro do seu negócio.

Participe.

Questione.

Proponha.

Invista.

Prepare-se.

E, principalmente, faça sua voz ser ouvida.

Porque quem governa decide.

Mas quem empreende sente.

E quem empreende também precisa participar da construção do futuro que quer para sua cidade.

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *