Operação da Malha Fiscal Digital identifica falhas em PIS e Cofins de 3.455 companhias; especialistas da Tributo Certo alertam para o risco de autuações e perda de rentabilidade em 2026

Uma recente fiscalização eletrônica promovida pela Receita Federal acendeu o alerta sobre o impacto de inconsistências fiscais na saúde financeira corporativa. Por meio da Malha Fiscal Digital, o Fisco apurou R$ 299,09 milhões em divergências de PIS e Cofins declaradas por 3.455 empresas no país. As companhias notificadas têm até 30 de outubro para autorregularizar as informações; caso contrário, ficarão sujeitas à cobrança de débitos com juros e multa de ofício fixada em 75%.

O montante recuperado reforça a evolução dos mecanismos digitais de fiscalização. Em edição anterior do mesmo programa, a omissão de ajustes por parte de 25% dos contribuintes autuados resultou no lançamento de R$ 750 milhões em autuações diretas.

Para Alexandre Campos, advogado tributarista e diretor jurídico da Tributo Certo — empresa especializada em inteligência fiscal e recuperação de créditos —, o custo dos erros tributários muitas vezes ocorre de forma silenciosa dentro do caixa:

“Erros tributários podem permanecer durante meses dentro da operação, seja em uma apuração inadequada, em uma classificação incorreta ou na falta de revisão dos procedimentos fiscais. Quando isso acontece, o caixa pode estar financiando uma ineficiência sem que a empresa consiga identificá-la no resultado.”

Ano-teste da Reforma Tributária amplia a necessidade de revisão de cadastros

A urgência do planejamento tributário ganha peso adicional em 2026, considerado o ano de testes operacionais da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). O período experimental adota alíquotas de 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS, permitindo a compensação com o recolhimento de PIS e Cofins.

Segundo o cronograma oficial da Receita Federal, PIS e Cofins serão extintos em 2027, ao passo que a transição do ICMS e ISS para o IBS ocorrerá entre 2029 e 2032, até a consolidação do novo sistema prevista para 2033.

A transição exige a integração das áreas financeira, comercial e fiscal das empresas, como apontam os executivos da Tributo Certo:

  • Distorção em Margens e Preços: Para Rafael Rocha, executivo comercial da consultoria, falhas na apuração afetam a precificação de produtos, a rentabilidade de contratos e as projeções de investimento. O planejamento deve participar preventivamente da tomada de decisões comerciais.
  • Revisão de Procedimentos e Créditos: Marcio Lopes, CEO da Tributo Certo, aponta que quedas de margem nem sempre decorrem de vendas baixas ou inadimplência. O recolhimento indevido ou o não aproveitamento de créditos permitidos por lei drenam capital de giro valioso.
  • Auditoria de Sistemas: Com o cruzamento eletrônico contínuo de dados contábeis e fiscais, parametrizações de sistemas, cadastros de produtos e enquadramentos precisam de checagem periódica antes de envios ao Fisco.

SERVIÇO — CRONOGRAMA E DADOS DA MALHA FISCAL DIGITAL (RECEITA FEDERAL)

  • Divergências Identificadas: R$ 299,09 milhões em PIS e Cofins apurados em 3.455 empresas em 2026.
  • Prazo de Regularização: Até 30 de outubro de 2026 para correção sem aplicação de multa de ofício (75%).
  • Ano-Teste da Reforma Tributária (2026): Início da fase experimental da CBS (0,9%) e do IBS (0,1%) com compensação de tributos federais.
  • Cronograma de Transição: Extinção de PIS/Cofins em 2027; transição de ICMS/ISS de 2029 a 2032; vigência plena do novo modelo em 2033.
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