O preço de um imóvel começa a ser definido muito antes de chegar ao mercado. Terrenos, materiais, mão de obra, infraestrutura e financiamento compõem uma equação que influencia a viabilidade dos empreendimentos e o valor final pago pelo comprador. Com a chegada de 2027, acompanhar esses custos será fundamental para entender os próximos movimentos do mercado imobiliário.
Em São Paulo, o Custo Unitário Básico (CUB) registrou alta de 6,17% nos 12 meses encerrados em setembro de 2026, segundo o SindusCon-SP. Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M), calculado pela Fundação Getulio Vargas, acumulou alta de 6,61% no mesmo período. Embora sejam indicadores com metodologias diferentes, ambos demonstram a pressão que os custos exercem sobre o setor.
Outro fator de atenção é a mão de obra. A escassez de profissionais qualificados e a discussão sobre a redução da jornada semanal de trabalho podem afetar a produtividade, os prazos e os custos das obras. Em estudo divulgado em março, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) estimou que uma eventual redução da jornada de 44 para 40 horas semanais poderia elevar em até 15% os custos da mão de obra no setor. Trata-se de uma projeção, condicionada à implementação da medida, e não de um aumento já confirmado.
Mas construir mais caro significa, necessariamente, vender imóveis mais caros?
Não de forma automática. Parte dos aumentos pode ser absorvida pelas construtoras, que também podem buscar ganhos de produtividade, rever projetos e adotar soluções construtivas mais eficientes. Entretanto, quando os custos comprometem a viabilidade financeira, os efeitos podem aparecer nos preços de lançamento, no adiamento de obras e na redução da oferta de novos empreendimentos.
Na região de Atibaia, essa discussão merece atenção. A dinâmica de expansão urbana e a procura por imóveis precisam caminhar junto com a viabilidade econômica dos projetos. Terrenos, infraestrutura, custos de execução e condições de financiamento influenciam tanto a decisão de construir quanto a capacidade de compra da população.
Para quem pretende comprar um imóvel na planta, também é importante compreender as condições contratuais e os critérios de reajuste do saldo devedor durante a obra. Para investidores e construtores, acompanhar os indicadores de custos e planejar os empreendimentos com eficiência pode fazer a diferença nos resultados.
Em 2027, o desafio do mercado imobiliário será equilibrar custos, produtividade, oferta e poder de compra. Afinal, a valorização de um imóvel não depende apenas de sua localização ou da demanda: depende também da capacidade de construir com eficiência e oferecer produtos compatíveis com a realidade do mercado.

Pós-graduado em Habilidades Gerenciais e com formação em Relações Públicas, Thiago é corretor de imóveis e investidor do mercado imobiliário. Apaixonado pela área, tem mais de 15 anos de experiência em vendas e se especializou em prospecção, negociação e fechamento. Criador do método Corretor 360º, acompanha o mercado em todas as suas esferas e defende uma visão ampla de mundo para criar relacionamentos estratégicos e gerar bons negócios imobiliários.
