Especialistas apontam que a modernização da infraestrutura de crédito e capitais por órgãos reguladores como BC e CVM é o caminho para blindar o setor produtivo contra ruídos políticos pós-eleitorais

O ambiente de volatilidade no mercado de capitais brasileiro e as oscilações na Bolsa de Valores de São Paulo após as eleições presidenciais recolocam no centro do debate a segurança institucional e a previsibilidade econômica do país. Diante de desdobramentos políticos e da postura cautelosa de investidores em relação ao novo ciclo de governo, analistas e agentes do setor destacam que a preservação da confiança dependerá da continuidade de uma agenda estruturante focada em tecnologia, governança e eficiência regulatória.

Para a advogada Jéssica Mota, especialista em estruturação de operações financeiras com uso de tecnologia, o país possui instrumentos consolidados para avançar sem paralisar sua infraestrutura. A prioridade técnica recai sobre novas funcionalidades do ecossistema de pagamentos instantâneos, a evolução da tokenização de ativos, a consolidação da duplicata escritural e a proteção ao investidor.

“Caberá ao governo atuar com novos produtos relacionados ao Pix, como o Pix Parcelado e em garantia, tokenização, ativos digitais, duplicata escritural, proteção ao investidor e modernização da infraestrutura do mercado de capitais. São iniciativas com potencial para ampliar o acesso ao crédito, reduzir custos de transação e elevar a eficiência de todo o sistema.”

Ampliação do crédito: Pix Parcelado e Duplicata Escritural

O avanço de modalidades como o Pix Parcelado e o uso de recebíveis como garantia é avaliado como um salto decisivo para o financiamento de pessoas físicas e pequenas empresas. Ao permitir que o próprio fluxo de pagamentos instantâneos sirva de base para concessão de crédito, a medida reduz a dependência exclusiva de linhas tradicionais do sistema bancário e estimula a concorrência entre fintechs e grandes instituições.

Na esfera corporativa, a consolidação da duplicata escritural é apontada como a âncora para a modernização do crédito privado. A implementação de registros digitais seguros e interoperáveis diminui assimetrias de informação e riscos de fraudes (como a emissão de duplicatas em duplicidade para obter crédito), destravando o mercado de recebíveis comerciais e barateando custos para micro e médios negócios.

Tokenização e governança no mercado de capitais

No segmento de ativos digitais, a infraestrutura baseada em tecnologia de registro distribuído (DLT/blockchain) ganha escala além das criptomoedas convencionais. A tokenização de ativos da economia real (RWA) amplia a transparência, acelera a liquidação de títulos e viabiliza a democratização do acesso a ativos antes restritos a grandes investidores.

De acordo com Jéssica Mota, a grande vantagem dessa agenda reside em sua independência do calendário legislativo. Grande parte das normas e melhorias operacionais pode ser executada por meio das prerrogativas normativas já conferidas ao Conselho Monetário Nacional (CMN), ao Banco Central e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

“Essa é uma agenda que transcende governos e ciclos eleitorais. A modernização da infraestrutura financeira é fundamental para criar um ambiente mais eficiente, competitivo e seguro para investidores e empresas. Mesmo em um cenário de maior fragmentação política, as competências técnicas dos órgãos reguladores permitem que a inovação continue gerando condições para o investimento produtivo.”

Fontes consultadas: Análise jurídica de Jéssica Mota (especialista em estruturação de operações financeiras), diretrizes do Banco Central do Brasil, normativas da CVM e Conselho Monetário Nacional.

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