Gestão de fornecedores e formação de preços mostram por que a adaptação ao novo sistema fiscal precisa envolver a rotina operacional e ir além do departamento contábil
Escolher um fornecedor, negociar um orçamento e fechar contratos de prestação de serviços tornaram-se decisões centrais no planejamento das empresas para a reforma tributária. Para que as mudanças na legislação não fiquem restritas ao campo teórico ou gerem descompassos no caixa, as diretrizes contábeis e fiscais precisam ser assimiladas diretamente por quem está na ponta da compra, da venda e da execução operacional.
Essa integração entre diferentes áreas desponta como um dos testes mais complexos da transição tributária brasileira. Para Carlos Giancoli, gerente de Supplier do Grupo MM Eventos, limitar as discussões sobre o novo modelo aos setores jurídico e financeiro é um equívoco que fragiliza a governança dos negócios:
“A reforma tributária não é uma responsabilidade somente do financeiro. É uma cadeia de responsabilidade. Estabelecer critérios técnicos tem pouco efeito se quem realiza a compra no dia a dia não souber aplicá-los ou se o comercial não compreender as premissas para defendê-las junto aos clientes.”
A gestão da cadeia de suprimentos exemplifica a urgência dessa sintonia interna. O processo tem início no cadastro minucioso e na homologação periódica dos parceiros comerciais, mas deve se refletir nas decisões cotidianas de contratação. Acompanhar a evolução das regras exige monitorar com frequência redobrada os documentos fiscais e o regime de tributação de cada prestador, além de calibrar a formação dos preços cobrados.
Giancoli adverte que os gestores precisarão distinguir com clareza o que é reflexo genuíno da reorganização de impostos e o que corresponde a variações comuns de insumos, mão de obra e margem administrativa. Como a mudança na legislação não legitima reajustes arbitrários, saber dissecar as planilhas de custo passa a ser indispensável para evitar pressões inflacionárias internas e assegurar que as propostas comerciais sejam formuladas com base em premissas sustentáveis.
A recomendação também se direciona aos pequenos e médios negócios que não contam com um departamento formal de compras ou procurement. Nesses cenários, em que a prospecção de parceiros é concentrada nas mãos do proprietário ou compartilhada por uma equipe enxuta, definir com precisão quem coleta os dados tributários e como os parâmetros de contratação são repassados aos colaboradores é o único caminho para assegurar previsibilidade e blindar a rentabilidade da operação.
