Relatório internacional destaca o país como protagonista global na transição para uma economia mais sustentável e baseada em biotecnologia
A indústria global de biossoluções deve movimentar até R$ 5,5 trilhões e gerar mais de 5 milhões de empregos em todo o mundo até 2035, segundo o relatório “O Valor das Biossoluções: Crescimento e Prosperidade até 2035”, elaborado pela Amsterdam Data Collective (ADC). O estudo posiciona o Brasil como um dos protagonistas desse avanço, impulsionado pela liderança na adoção de práticas sustentáveis em setores como agricultura, pecuária, aquicultura, silvicultura e energia limpa.
Pela primeira vez, o relatório quantifica o impacto econômico potencial das biossoluções no país. No cenário brasileiro, o setor pode movimentar até R$ 232,6 bilhões e gerar mais de 276 mil empregos diretos e indiretos até 2035 — um crescimento superior a 200% em relação aos níveis atuais. Cada vaga criada tende a gerar, em média, 1,6 novos postos em cadeias produtivas relacionadas, consolidando o segmento como um motor de desenvolvimento econômico e social.
“As biossoluções desempenham um papel central no enfrentamento de algumas das crises mais urgentes do planeta e abrem caminho para novos modelos de negócio. Baseadas em microrganismos, enzimas e proteínas, elas ajudam países e empresas a reduzir desperdícios, diminuir a dependência de combustíveis fósseis e desenvolver produtos inovadores e rentáveis. Hoje, estas biossoluções já estão sendo aplicadas em mais de 30 indústrias, de saúde preventiva e aplicações industriais à agricultura e produção de alimentos. Mas para liberar todo esse potencial, é necessário adotar regulações preparadas para o futuro”, afirma Ethel Laursen, presidente regional para a América Latina da Novonesis.
Às vésperas da COP30, o estudo reforça que o Brasil tem uma oportunidade estratégica de se consolidar como referência global em bioinovação. “O mundo pode olhar para o Brasil como líder, mas o sucesso depende de ações rápidas para superar barreiras-chave. Isso inclui, por exemplo, a continuidade da agenda de biocombustíveis e a finalização da Estratégia Nacional de Bioeconomia. Somado a isso, é necessário agilizar processos de aprovação de culturas e enzimas, expandir linhas de crédito diferenciadas e priorizar tecnologias verdes e biossoluções na agricultura, pecuária, alimentos e saúde”, destaca Thiago Falda, presidente-executivo da Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI).
Para o executivo, o país reúne todos os elementos necessários para assumir papel de destaque na corrida global por soluções biotecnológicas sustentáveis. “Com os instrumentos, talentos e políticas já em vigor, o Brasil está em uma posição única para liderar a transição global para biossoluções. O próximo passo é estabelecer um roteiro claro dentro da Estratégia Nacional de Bioeconomia, alinhando políticas, investimentos e incentivos nos setores de agricultura, alimentos, saúde e indústria. A corrida global já começou e o Brasil tem todas as condições para definir o ritmo”, reforça Falda.
A importância do tema é reconhecida também por líderes internacionais do setor. “As biossoluções são um mercado em expansão com enorme potencial dentro da bioeconomia industrial. O relatório mostra claramente que o setor está em forte crescimento global e, ao mesmo tempo, serve como guia importante para os principais desafios e oportunidades que se apresentam a formuladores de políticas e investidores”, complementa Christine Lang, co-presidente do Conselho Consultivo Internacional de Bioeconomia Global.

