Dados mostram disparidade entre tribunais; para especialista, tecnologia e gestão podem transformar o cenário
Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), entre janeiro e agosto de 2025 foram registradas 3.424.212 novas ações trabalhistas no país. No mesmo período, ocorreram 453.222 audiências conciliatórias, resultando em um índice de conciliação de apenas 21,02% nos últimos 12 meses. Para Lucas Pena, CEO da Pact Insights, legaltech especializada em redução de passivos trabalhistas, o dado evidencia o desafio em consolidar uma cultura de acordos, mesmo diante do potencial de economia para empresas e da agilidade que traria ao Judiciário.
“Falta estratégia e visão financeira no trato com ações trabalhistas. Há uma clara predisposição das partes em buscar acordos. O que ainda falta são parâmetros objetivos que façam as expectativas convergirem de forma viável para ambos os lados. Também é preciso reconhecer o esforço da Justiça do Trabalho e dos CEJUSCs em montar essas mesas de negociação e catalisar soluções definitivas para empregadores e ex-empregados. A cultura de conciliação precisa deixar de ser exceção para se tornar regra, e isso começa por dados, tecnologia e vontade de mudar”, afirma o executivo.
Para Lucas Pena, os dados refletem uma tendência nacional de baixa efetividade na conciliação de passivos trabalhistas. “Temos uma justiça mais digital, mais segura e um cenário empresarial cada vez mais sensível a boas práticas de ESG. Isso exige uma mudança de mentalidade. O que estamos propondo é simples: que as empresas troquem litígio por governança, custo por oportunidade, incerteza por economia”, conclui o CEO da Pact.
O levantamento do CNJ também mostra forte disparidade entre os Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs). O TRT23 (Mato Grosso) lidera o ranking nacional, com 27,77% de conciliações, seguido por TRT8 (Pará e Amapá), com 26,56%, e TRT24 (Mato Grosso do Sul), com 25,73%. Na outra ponta, o TRT5 (Bahia) aparece com apenas 16,33%, e o TRT17 (Espírito Santo) registra o menor índice do país, com 15,97%.

Os dados indicam que, embora o país avance na digitalização da Justiça, ainda há um longo caminho para tornar os acordos uma prática consolidada, reduzindo custos e aumentando a eficiência de todo o sistema.

