Nova abordagem busca traduzir dados técnicos de sustentabilidade em narrativas acessíveis para evitar que ações de impacto fiquem restritas a relatórios internos

No cenário atual, onde a sustentabilidade se tornou um pilar central para investimentos globais, um desafio crítico emergiu: o abismo entre o que as empresas realizam e o que o público compreende. Estimativas indicam que os investimentos em ESG (Ambiental, Social e Governança) já movimentam mais de US$ 53 trilhões globalmente, representando cerca de um terço dos ativos sob gestão no mundo. No entanto, com o aumento do monitoramento sobre práticas de greenwashing (quando informações são distorcidas), o mercado de comunicação se movimenta para unir o rigor científico à potência do audiovisual, buscando dar legitimidade pública a projetos que muitas vezes morrem em relatórios técnicos.

A criação de estruturas como a Bravo Impact exemplifica essa tendência de mercado, que projeta faturamentos expressivos — na casa dos R$ 16 milhões em três anos — ao atuar na identificação e tradução de histórias socioambientais. Ao fundir cinema, ciência e estratégia de reputação, o modelo propõe que a comunicação de impacto deixe de ser apenas uma peça de marketing para se tornar uma ferramenta de transparência baseada em evidências.

Ciência como filtro para a comunicação

A grande mudança nessa abordagem é a inclusão de especialistas técnicos no processo criativo. Em vez de roteiristas atuando de forma isolada, o fluxo passa a contar com o respaldo de cientistas e estrategistas que validam a veracidade das transformações alegadas pelas instituições.

Segundo os idealizadores do movimento, como o cineasta Jorge Brivilati e a cientista Helena Villela, a arte tem o poder de atravessar a fronteira do dado técnico, mas é a ciência que garante a sustentação ética da mensagem. “Existe um abismo entre o impacto que acontece e o impacto que é percebido“, explica Brivilati. Em um mundo onde a confiança corporativa está em xeque, a coerência entre o propósito declarado e o impacto mensurável tornou-se o novo critério de relevância para o debate público.

Foto: Divulgação

O impacto no comportamento social e global

O potencial dessa união entre dados e narrativa já é visível em projetos que abordam temas complexos. Um exemplo atual é o documentário “Meninos: sonhando os homens do futuro”, com lançamento previsto para este mês. Realizado em parceria com o Instituto PDH e com apoio do Pacto Global da ONU no Brasil, o longa utiliza pesquisas e escutas estruturadas no Brasil, Argentina e México para discutir masculinidades e educação emocional entre jovens de 13 a 17 anos.

Ao partir de uma base de dados para construir a história, o audiovisual deixa de ser meramente estético para se tornar um registro de comportamento humano com validade científica. Para o setor de comunicação, o surgimento desses novos modelos indica que a sobrevivência das marcas na era da transparência dependerá, cada vez mais, da capacidade de contar histórias que sobrevivam ao escrutínio técnico e que possuam relevância pública, inclusive com potencial de exportação para mercados internacionais.

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *