Especialista alerta que a precificação inadequada é um dos principais fatores que comprometem a rentabilidade; vender muito não é sinônimo de “ganhar dinheiro”

Empresas que registram um alto volume de vendas, mas enfrentam margens reduzidas ou resultados negativos, revelam um problema crítico na gestão: o desequilíbrio entre faturamento e lucro. Muitas vezes, esse cenário está associado a erros na formação de preços, que sacrificam a saúde do negócio no médio e longo prazo. Para o empresário Elias Torres, conhecido como Seu Elias, a falta de clareza sobre os custos reais é uma armadilha comum. “Faturar muito não significa ganhar dinheiro. Quando o empresário não entende todos os custos envolvidos no produto ou serviço, ele pode vender bem e, ainda assim, operar no prejuízo”, afirma.

Segundo o especialista, a construção de um preço eficiente exige uma análise detalhada que vai além do custo direto, englobando despesas fixas, impostos, custos operacionais e o posicionamento da marca. Ignorar esses elementos distorce o valor final e impacta a sustentabilidade da operação. “Precificar não é apenas somar custos e aplicar uma margem. É uma estratégia que envolve entender o mercado, o comportamento do consumidor e o valor percebido pelo cliente. Quando isso não é feito de forma estruturada, o negócio perde competitividade ou sacrifica o lucro”, explica Seu Elias.

A armadilha do volume e a guerra de preços

Um erro recorrente apontado pelo especialista é a prática de reduzir preços agressivamente para aumentar o volume de vendas sem uma análise de viabilidade. Embora gere um crescimento momentâneo no faturamento, essa estratégia tende a comprometer severamente o caixa. “Muitos empresários entram em uma guerra de preços sem saber se conseguem sustentar aquela operação. O resultado é o aumento de vendas com queda de lucro, o que não se sustenta ao longo do tempo”, alerta.

Para reverter esse quadro, a recomendação é revisar a estrutura de custos e identificar “despesas ocultas”. O uso de indicadores financeiros e o acompanhamento constante dos resultados são fundamentais para ajustes rápidos. “É essencial que o empreendedor tenha clareza sobre quanto custa operar e qual é o lucro necessário para manter o negócio saudável. A precificação correta garante não só a sobrevivência da empresa, mas também a possibilidade de crescimento e investimento”, reforça Elias.

Valor percebido vs. Preço baixo

Elias Torres destaca que a solução definitiva passa pelo alinhamento entre preço e proposta de valor. Empresas que comunicam bem seus diferenciais conseguem justificar preços adequados e evitar a dependência de descontos constantes. “O cliente não compra apenas pelo preço; ele compra pela experiência, pela confiança e pelo valor que enxerga. Quando o empresário entende isso, ele deixa de competir apenas por preço e passa a construir um negócio mais sustentável”, conclui.

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