Avanço na análise de riscos ESG e consolidação da Taxonomia Sustentável ampliam acesso a financiamentos mais competitivos no país

As finanças sustentáveis vêm se consolidando como uma das principais forças de transformação no mercado financeiro brasileiro, ao permitir uma avaliação mais precisa dos riscos e, como consequência, a redução do custo do crédito. Esse movimento tem ganhado tração à medida que fatores ambientais, sociais e de governança, conhecidos como ESG, passam a ser incorporados de forma mais estruturada nas decisões de financiamento.

Segundo Luiz Goi, diretor técnico da Ecovalor, a precificação do crédito se torna mais eficiente quando os riscos são corretamente identificados e mensurados. “Quando o risco é avaliado de forma transparente e técnica, o crédito tende a custar menos e se tornar mais competitivo para as empresas”, explica.

No Brasil, o fortalecimento dessa agenda está diretamente ligado à capacidade das organizações de reportar dados confiáveis, demonstrar boas práticas de governança e comprovar o controle de seus riscos ESG. Goi destaca que, mais do que o setor de atuação, o ponto central é garantir que o crédito tenha destinação sustentável, seja ambiental, social ou ligada à transição ecológica.

Essas operações costumam passar por processos rigorosos de validação, como a Second Party Opinion (SPO), que avalia se a estrutura do financiamento está alinhada aos princípios internacionais de títulos sustentáveis definidos pela International Capital Market Association (ICMA). “Trata-se de uma análise mais sofisticada, com múltiplas camadas de verificação e destinação exclusiva dos recursos, o que reduz significativamente os riscos da operação”, afirma.

A adoção de práticas sustentáveis também tem ampliado o acesso das empresas ao crédito. De acordo com o especialista, organizações que já possuem iniciativas ESG estruturadas e dependem de financiamento para avançar em sua transição acabam se tornando mais atrativas para bancos e fundos. “Ao reduzir seus riscos e atender às exigências das instituições financeiras, a empresa amplia automaticamente sua chance de captar recursos com taxas melhores”, destaca.

Outro fator que contribui para a redução do custo é o aumento da oferta de crédito sustentável no mercado. Segundo Goi, atualmente há mais recursos disponíveis do que projetos aptos a receber esse tipo de financiamento, o que pressiona as taxas para baixo e favorece o tomador.

Os impactos econômicos dessa agenda são diretos. O spread, que antes era calculado com base em uma percepção mais conservadora de risco, passa a ser ajustado de forma mais precisa. Além disso, bancos e fundos especializados em sustentabilidade contam com volumes expressivos de capital destinados exclusivamente a operações verdes, reforçando a competitividade dessas linhas.

Para empresas que desejam iniciar ou aprofundar esse processo, a recomendação é alinhar-se à Taxonomia Sustentável Brasileira, que tende a se tornar o principal direcionador do crédito no país. Essa taxonomia classifica os setores da economia e estabelece critérios que indicam o nível de avanço ou atraso na transição sustentável. “Ela será determinante para definir quem terá acesso ao crédito sustentável, quem pagará mais caro ou quem ficará fora dessas linhas”, avalia Goi.

Apesar do cenário favorável, ainda existem desafios. Muitas empresas enfrentam dificuldades para mensurar de forma consistente seus riscos e impactos. “O maior desafio está em colocar métricas em prática, organizar um framework sólido e demonstrar, ao longo do tempo, que o risco realmente diminuiu. Avaliações superficiais podem impedir a redução do spread e comprometer o acesso ao crédito”, alerta.

Ainda assim, o especialista avalia que o momento é positivo para quem se preparar. “Hoje existe mais dinheiro disponível do que projetos prontos para captar. As empresas que estruturarem seus dados e direcionarem corretamente seus projetos terão uma vantagem competitiva importante”, conclui Luiz Goi.

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