Com a aceleração da inteligência artificial e o avanço de ataques digitais mais sofisticados, empresas brasileiras direcionam investimentos para infraestrutura, governança e proteção cibernética ao longo deste ano

Empresas brasileiras iniciam 2026 com atenção redobrada à modernização de sistemas, governança tecnológica e segurança cibernética. As tendências refletem um cenário em que a inteligência artificial passa a ocupar papel estrutural nas organizações, exigindo mudanças tanto na base tecnológica quanto na forma de proteger dados e operações digitais.

Dados do relatório “Perspectivas Tecnológicas 2026”, da Mirante Tecnologia, com informações da Whats the Big Data, indicam que Marketing e Publicidade lideram o uso de IA no país, com 37%, seguidos por Tecnologia da Informação (35%) e Consultoria (30%).

A adoção da tecnologia tem se tornado pré-requisito competitivo. Segundo o IBGE, 41,9% das empresas brasileiras com mais de 100 funcionários já utilizam inteligência artificial em suas operações, número significativamente superior aos 16,9% registrados dois anos antes. Apesar do avanço, especialistas apontam que a infraestrutura digital construída na última década não acompanha o ritmo das novas demandas tecnológicas e dos ataques cibernéticos mais complexos.

Para Danilo Custódio, CEO da Mirante Tecnologia, o impacto da IA depende diretamente da base tecnológica das empresas. Ele destaca que estratégias como modularização de sistemas, uso de cloud híbrida, APIs e plataformas low-code permitem evoluir a inovação sem descartar sistemas existentes. A Gartner projeta que até 2030 cerca de 80% das empresas líderes migrarão para plataformas de desenvolvimento nativas de inteligência artificial.

Cadeias de confiança sob exploração

No campo da segurança digital, o conceito de confiança passa a ser tratado de forma prática e operacional. Integrações entre sistemas, fornecedores e ecossistemas corporativos têm se tornado pontos de entrada para ataques cada vez mais sofisticados.

Segundo Carlos Cabral, especialista em cibersegurança da Tempest Security Intelligence, o risco atual não está apenas na invasão direta, mas na infiltração em fluxos já autorizados dentro das empresas. Ele afirma que a conectividade ampliada criou novos pontos de vulnerabilidade que exigem revisão constante das estratégias de proteção.

Dados da IBM mostram que, apenas em 2025, foram registrados cerca de 28 milhões de ataques cibernéticos com uso de inteligência artificial no mundo, um crescimento de 72% em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo em que os ataques evoluem, a própria IA também tem sido utilizada como ferramenta de defesa, principalmente na detecção de ameaças e respostas automatizadas.

Nesse cenário, a arquitetura Zero Trust ganha espaço como modelo essencial de segurança, baseada na verificação contínua de acessos de usuários, dispositivos, serviços e até agentes de inteligência artificial. A lógica deixa de confiar previamente e passa a validar constantemente identidade, comportamento e contexto de acesso.

Governança como pilar estratégico

A governança digital surge como elemento central para equilibrar inovação e segurança em 2026. A integração da inteligência artificial à infraestrutura corporativa exige ambientes modulares, escaláveis e lideranças capazes de tomar decisões críticas sobre o uso dessas tecnologias.

De acordo com Danilo Custódio, a transformação digital deixou de ser apenas sobre adoção de novas ferramentas e passou a envolver velocidade de decisão, capacidade de adaptação e segurança operacional. Para ele, o diferencial competitivo estará nas empresas que conseguirem estruturar uma base sólida para uso sustentável da IA.

Na área de segurança, especialistas reforçam que governança não significa apenas bloquear ataques, mas antecipar riscos e reagir com inteligência contextual. A tendência aponta para uma convivência cada vez mais próxima entre pessoas e sistemas inteligentes, com foco em ampliar a capacidade humana de análise e resposta frente aos desafios digitais.

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