Estudo da aponta que 77% das empresas destinam até 2% do orçamento à tecnologia, apesar de considerá-la prioridade para os próximos anos

Campinas, 25 de setembro de 2025 – A Inteligência Artificial (IA) já ocupa o primeiro lugar na lista de prioridades das empresas brasileiras para 2026, mas os investimentos ainda não acompanham o discurso. Pesquisa Panorama 2026, realizada pela Amcham Brasil em parceria com a Humanizadas e apresentada durante o Amcham Talks em Campinas, revela que 77% das companhias destinam até 2% do orçamento à tecnologia, enquanto apenas 9% aplicam acima de 5%.

Uso concentrado em áreas táticas

Segundo o levantamento, que ouviu 629 executivos de médias e grandes empresas representando 592 mil colaboradores, a aplicação da IA no Brasil ainda está restrita a áreas ligadas ao cliente. O uso é maior em Atendimento e Experiência do Cliente (59%) e Marketing e Vendas (54%). Já em funções estratégicas, a presença é bem menor: Finanças (38%), Estratégia de Negócio (38%) e RH e Sustentabilidade (29%).

Em relação a agentes autônomos – sistemas capazes de tomar decisões sozinhos –, 83% das companhias afirmam usá-los apenas em tarefas simples ou não planejam adotá-los até 2026.

Barreiras organizacionais

Os obstáculos mais citados para ampliar o impacto da IA não são apenas técnicos. A pesquisa mostra que 64% das empresas apontam falta de capacitação das equipes, 52% citam ausência de estratégia clara de uso e 43% destacam baixa qualidade dos dados internos.

“Os maiores desafios não estão apenas na tecnologia, mas nas pessoas e na organização. Resistência cultural, falhas na execução da estratégia e liderança pouco preparada dificultam avanços”, afirma Marcelo Rodrigues, Diretor Executivo de Inovação e Novos Negócios da Amcham.

Hub de IA

Para apoiar empresas em diferentes estágios de maturidade, a Amcham anunciou o lançamento do Hub de Inteligência Artificial, que terá três frentes de atuação: capacitação executiva (camps e masterclasses internacionais), troca de melhores práticas (relatórios, webinars e comunidade de líderes) e projetos colaborativos com startups e universidades.

“O Hub de IA é uma resposta prática para transformar dados em ação e apoiar companhias que buscam competitividade em escala global”, completa Rodrigues.

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